Sobre os transtornos factícios, avalie as afirmativas a seguir. I. Os transtornos factícios são caracterizados pela produção intencional de sintomas com o objetivo de obter benefícios externos tanto tangíveis, como isenção de responsabilidades ou vantagens financeiras, quanto intangíveis, como atenção de terceiros. II. O tratamento dos transtornos factícios é predominantemente farmacológico, focando no alívio dos sintomas simulados. III. Os transtornos factícios se diferenciam da simulação pela ausência de uma motivação consciente, externa e clara, como ganhos financeiros ou isenção de obrigações. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa sustenta que apenas a afirmativa I está correta. O problema é que a I descreve a lógica da simulação: produção intencional de sintomas para obter ganho externo tangível ou vantagem concreta, enquanto no transtorno factício a falsificação é intencional, mas sem incentivo externo evidente. A busca de atenção até pode ocorrer, porém não como benefício externo claro nos moldes da simulação.
- B)II, apenas.
A alternativa diz que somente a afirmativa II está correta. Isso falha porque o tratamento dos transtornos factícios não é predominantemente farmacológico; a base é abordagem psicoterápica, manejo do vínculo terapêutico e tratamento de comorbidades, com medicamentos usados apenas quando há outro transtorno associado. Remédios não resolvem o núcleo do problema, que é a produção intencional de sintomas e a dinâmica psicológica subjacente.
- C)III, apenas.
A alternativa aponta que apenas a afirmativa III está correta. Ela acerta ao distinguir transtorno factício de simulação: na simulação há motivação externa clara, como dinheiro, isenção de obrigações ou outra vantagem objetiva, enquanto no transtorno factício a falsificação é deliberada, mas sem ganho externo evidente. Essa é a distinção clássica ensinada em psicopatologia e compatível com o DSM-5-TR.
- D)I e II, apenas.
A alternativa afirma que I e II estão corretas. Contudo, a I erra ao atribuir ao transtorno factício a busca de benefícios externos, o que é típico de simulação, e a II erra ao propor tratamento principalmente farmacológico, quando o manejo é sobretudo psicoterápico e de suporte. Como as duas afirmativas não se sustentam no conteúdo técnico, essa combinação não pode ser aceita.
- E)I e III, apenas.
A alternativa sustenta que I e III estão corretas. A III realmente expressa a diferença central entre transtorno factício e simulação, ao destacar a ausência de ganho externo claro; porém a I está incorreta porque transforma o quadro em comportamento voltado a vantagens externas, o que descaracteriza o transtorno factício. Assim, a presença da I invalida essa alternativa.
Gabarito: C
Os transtornos factícios aparecem quando a pessoa produz, simula ou agrava sintomas de forma intencional, mas sem o objetivo principal de ganhar dinheiro, escapar de trabalho ou obter outra vantagem externa. O foco costuma ser interno, como assumir o papel de doente e receber cuidado, acolhimento ou atenção. Na prática, isso faz toda a diferença em relação à simulação, que tem motivação externa clara e consciente. A afirmativa I descreve justamente a simulação (ou malingering), porque fala em benefícios externos tangíveis e intangíveis. Em transtorno factício, a pessoa não está, em regra, buscando esse ganho externo direto. Então essa frase escorrega bonito, mas para o lado errado. A afirmativa II também está errada. O tratamento não é predominantemente farmacológico; em geral, a abordagem é psicoterápica, com manejo cuidadoso da relação médico-paciente, sem confronto agressivo, além de tratar possíveis comorbidades psiquiátricas. Medicamento pode ter papel se houver depressão, ansiedade ou outro transtorno associado, mas não é o centro da conduta. Já a afirmativa III está correta, porque o transtorno factício se diferencia da simulação pela ausência de motivação externa clara e consciente. Esse é o ponto-chave clássico da psicopatologia e aparece de forma consistente nos manuais diagnósticos, como o DSM-5-TR e a CID-11, que separam transtorno factício de simulação com base justamente nessa motivação.