Uma mulher de 24 anos apresentou os seguintes sintomas de forma persistente por 15 dias: irritabilidade, fadiga, aumento do apetite, especialmente por doces, anedonia e hipersonia. Os sintomas causaram prejuízo em seu funcionamento social e laboral. Sabendo que ela não faz uso de medicação e que os exames de sangue descartaram diabetes e alterações na tireoide, o diagnóstico mais provável é:
- A)episódio depressivo maior;
Correta, porque há sintomas depressivos por pelo menos 15 dias, com prejuízo funcional e sem causa orgânica ou medicamentosa identificada.
- B)transtorno bipolar do humor;
Errada, porque não há história de mania ou hipomania, que são indispensáveis para o diagnóstico de transtorno bipolar.
- C)agorafobia;
Errada, porque agorafobia é um transtorno de ansiedade ligado a medo de lugares/situações de difícil fuga, não a síndrome depressiva descrita.
- D)esquizofrenia;
Errada, porque esquizofrenia exige sintomas psicóticos típicos, como delírios, alucinações e desorganização, ausentes no caso.
- E)transtorno de ansiedade generalizada.
Errada, porque transtorno de ansiedade generalizada envolve preocupação excessiva e persistente, e não explica bem anedonia, hipersonia e aumento do apetite.
Gabarito: A
O quadro descrito aponta para um episódio depressivo maior: humor deprimido nem sempre aparece como tristeza explícita, e pode vir como irritabilidade, perda de interesse, cansaço, alteração do sono e do apetite. Aqui, os sintomas duraram pelo menos 15 dias, causaram prejuízo funcional e não foram explicados por doença clínica, uso de substâncias ou medicação. Isso encaixa bem no diagnóstico de episódio depressivo maior segundo a lógica clínica usada no DSM-5 e na psiquiatria de prova: síndrome depressiva com duração mínima e impacto funcional. A presença de hipersonia e aumento do apetite, especialmente por doces, é bem típica de depressão com características atípicas, muito cobrada em concursos. Muita gente lembra só da depressão “clássica” com insônia e perda de apetite, mas a banca gosta de variar o roteiro. Irritabilidade também pode ser uma forma de apresentação do humor deprimido, sobretudo em adultos jovens. O diagnóstico de transtorno bipolar exigiria história de mania ou hipomania, como euforia, aumento de energia, redução da necessidade de sono, grandiosidade ou comportamento impulsivo. Como isso não apareceu no enunciado, não dá para chamar de bipolaridade. A pista é simples: depressão isolada não vira bipolar por mágica, precisa de episódio maníaco/hipomaníaco em algum momento. Então, pela duração, pelos sintomas e pelo prejuízo social e laboral, o gabarito é episódio depressivo maior. Em prova, pense assim: se há síndrome depressiva completa, tempo suficiente e exclusão de causa orgânica, o caminho mais seguro costuma ser esse.