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Psiquiatria · FGV · 2025

Questão comentada de Psiquiatria

João, enfermeiro de 27 anos, procura atendimento relatando sintomas sugestivos de síndrome de Cushing, incluindo ganho de peso central, face arredondada ("face em lua"), acne, fraqueza muscular e estrias purpúreas no abdômen. Ele refere que os sintomas começaram há cerca de um ano e que já passou por inúmeras investigações sem que uma causa fosse identificada. João parece muito preocupado com os sintomas e insiste em continuar investigando, apesar de já ter passado por vários profissionais. Ao ser perguntado sobre o uso de medicamentos e sobre a possibilidade de intoxicação exógena, ele inicialmente nega, mas muda de assunto rapidamente e mostra-se incomodado com as perguntas, ameaçando abandonar a consulta. Ele não apresenta ganho financeiro, vantagens no trabalho ou outros benefícios pessoais por estar doente. Considerando esse quadro clínico, o diagnóstico mais provável é:

Gabarito: A

O caso descreve um quadro em que a pessoa apresenta sintomas ou sinais físicos, insiste em exames e consultas, mas sem evidência de ganho externo claro, como dinheiro, afastamento do trabalho ou fuga de responsabilidade. Isso aponta para transtorno factício, em que há produção ou falsificação de sintomas com o objetivo psicológico de assumir o papel de doente. O detalhe importante é que a motivação não é um benefício externo, e sim a necessidade de ser cuidado, atendido ou visto como paciente. Na prática, o grande divisor de águas é esse: no transtorno factício, a pessoa engana de forma intencional, mas não para obter vantagem material evidente; na simulação, existe ganho externo concreto. Aqui, João se mostra muito preocupado, mantém a busca por investigação e fica desconfortável quando questionado sobre uso de medicamentos ou intoxicação exógena, o que reforça a suspeita de produção intencional do quadro. A ausência de benefício secundário é a pista de ouro da questão. A síndrome descrita no enunciado lembra Cushing, mas isso é apenas a maquiagem do problema. O que interessa para a Psiquiatria é que o quadro clínico pode ser fabricado, simulado ou induzido, e o comportamento do paciente sugere manipulação deliberada da apresentação clínica. Em provas, a FGV gosta de misturar sintomas físicos com a motivação por trás deles, porque é aí que muita gente escorrega. Portanto, o gabarito é transtorno factício. Não há sinais de conversão, porque ali os sintomas são incompatíveis com mecanismos neurológicos conhecidos, mas sem produção intencional. Também não é síndrome de Munchausen por procuração, pois não há outra pessoa sendo instrumentalizada, nem simulação, porque falta o ganho externo típico.

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