“Pacientes com transtorno factício simulam, induzem ou agravam a doença para receber atenção médica, independentemente de estarem ou não doentes. Por conseguinte, podem infligir lesões dolorosas, deformantes ou até mesmo com perigo de morte a si mesmos, a seus filhos ou a outros dependentes. A motivação primária não é evitar obrigações, obter ganho financeiro ou qualquer coisa concreta. A motivação é apenas receber cuidados médicos e participar do sistema de saúde.” (Sadock BJ, Sadock VA, Ruiz P. Kaplan e Sadock. Compêndio de psiquiatria 11ª edição. Porto Alegre: Artmed. 2017, pag 489) Conforme a referência citada, podemos considerar uma forma de transtorno factício a Síndrome de
- A)Cotard.
Cotard é a síndrome do delírio niilista, em que a pessoa acredita estar morta, sem órgãos ou sem existência, e não um transtorno factício.
- B)Münchausen.
Correta: Münchausen é a forma clássica de transtorno factício, com produção intencional de sintomas para assumir o papel de paciente e receber atenção médica.
- C)Wernicke.
Wernicke é uma encefalopatia por deficiência de tiamina, ligada a confusão, ataxia e alterações oculomotoras, não a transtorno factício.
- D)Diógenes.
Diógenes é a síndrome associada a autoabandono, acúmulo e higiene precária, sem relação com simulação deliberada de doença.
- E)Capgrass.
Capgras é a síndrome do delírio de sósia, em que a pessoa acha que um familiar foi substituído por um impostor.
Gabarito: B
O transtorno factício é aquele em que a pessoa produz, simula ou piora sintomas de forma intencional, não para ganhar dinheiro, fugir de trabalho ou conseguir benefício concreto, mas para assumir o papel de paciente e receber cuidados. É quase um "teatro clínico" em que a meta principal é ocupar a cena médica, mesmo que isso custe caro à própria saúde. A referência clássica para a forma mais conhecida desse quadro é a Síndrome de Münchausen. Nela, o paciente costuma inventar doenças, dramatizar sintomas e até se submeter a procedimentos arriscados para manter a atenção da equipe de saúde. É justamente essa motivação de buscar o papel de doente, sem ganho externo evidente, que define o transtorno factício. Na prática, isso se diferencia de simulação (malingering), em que há vantagem externa clara, como evitar punição, conseguir afastamento ou obter algum benefício material. No transtorno factício, o ganho é interno e psicológico: cuidado, acolhimento, observação e o vínculo com o serviço de saúde. Por isso o gabarito é a letra B. A Síndrome de Münchausen é a forma clássica de transtorno factício descrita na psiquiatria e nos manuais diagnósticos, incluindo a tradição consolidada em obras como Kaplan e Sadock, que a citam como exemplo paradigmático desse comportamento.