“Às vezes, os antipsicóticos são necessários para tratar os sintomas de alucinações e delírios paranóicos que ocorrem em pacientes com Parkinson. Agentes tradicionais, como haloperidol e similares, aumentam os sintomas parkinsonianos [...] O parkinsonismo como efeito colateral de certos medicamentos é uma entidade subdiagnosticada. [...] Ocorre principalmente com neurolépticos de primeira geração, muitos neurolépticos de segunda geração e pode ser observado com procinéticos gastrointestinais como metoclopramida e domperidona.” Retirado de Hayes MT. Parkinson's Disease and Parkinsonism. Am J Med. 2019 Jul;132(7):802-807. doi: 10.1016/j.amjmed.2019.03.001. Epub 2019 Mar 16. PMID: 30890425. Sobre o tratamento de parkinsonismo como efeito colateral de antipsicóticos, uma estratégia terapêutica farmacológica preconizada para aqueles que não puderem suspender ou trocar o agente causador dos sintomas é o uso de
- A)anticolinérgicos.
Certa: anticolinérgicos, como benztropina e biperideno, podem ser usados para aliviar o parkinsonismo induzido por antipsicóticos quando não é possível suspender ou trocar o causador.
- B)anticolinesterásicos.
Errada: anticolinesterásicos aumentam a ação colinérgica e não são usados para tratar esse efeito extrapiramidal.
- C)antihistamínicos.
Errada: antihistamínicos não são a estratégia preconizada para parkinsonismo por antipsicóticos, embora alguns tenham efeito anticolinérgico leve.
- D)antipsicóticos de primeira geração.
Errada: antipsicóticos de primeira geração tendem justamente a piorar ou desencadear sintomas parkinsonianos.
- E)anfetaminas.
Errada: anfetaminas não tratam esse quadro e ainda podem trazer outros riscos psiquiátricos e cardiovasculares.
Gabarito: A
Quando o paciente desenvolve parkinsonismo por efeito colateral de antipsicóticos, a lógica é simples: o remédio bloqueia dopamina demais e aparece rigidez, tremor e lentidão. Se não der para suspender ou trocar o agente causador, uma medida farmacológica clássica é usar fármacos que reduzem esse desequilíbrio, como os anticolinérgicos, especialmente em quadros de sintomas extrapiramidais. Eles ajudam a “desafogar” o estriatal, diminuindo tremor e rigidez. É uma solução sintomática, não ideal como primeira escolha, mas útil quando não há como mexer no antipsicótico. Em prova, a banca costuma cobrar essa relação direta entre antipsicótico e sintomas extrapiramidais, e aqui o gabarito é a alternativa A, porque anticolinérgicos são usados para aliviar o parkinsonismo medicamentoso.