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Psiquiatria · FGV · 2023

Questão comentada de Psiquiatria

Joel, 70 anos, tem se queixado de “sono ruim” há alguns anos, acordando cedo e tirando cochilos durante o dia. Na época, o psiquiatra prescreveu Rivotril 0,5mg, à noite. Dois anos depois, já estava dormindo mal com a dose de 2mg. Sobre este caso, é correto afirmar que

Gabarito: D

Em idosos, sono ruim nem sempre significa doenca ou precisa obrigatoriamente de sedativo forte. Com o envelhecimento, o sono tende a ficar mais fragmentado, com menos sono profundo, mais despertares noturnos e tendencia a cochilos durante o dia. Ou seja: a arquitetura do sono muda com a idade, e isso faz parte do quadro esperado em muitos pacientes. Por isso, a avaliacao correta nao olha so para a quantidade de horas dormidas, mas principalmente para o impacto funcional: o paciente esta cansado? tem sonolencia diurna importante? caiu? perdeu autonomia? fica irritado? Se o perfil de sono nao esta prejudicando a qualidade de vida, nem todo padrao diferente precisa de remédio forte. Em geriatria, menos costuma ser mais. O gabarito esta na alternativa D porque ela traz a ideia central da abordagem correta: reconhecer que o sono do idoso muda fisiologicamente e que a decisao terapeutica deve considerar o bem-estar global, nao apenas o horario em que ele dorme ou acorda. Isso evita medicalizacao excessiva e uso prolongado de hipnoticos, que podem aumentar risco de quedas, confusao e dependencia. A mensagem pratica e simples: antes de escalar benzodiazepinico ou trocar por outro sedativo, vale revisar higiene do sono, comorbidades, medicamentos, cafeina, dor, depressao e rotina. Em idosos, tratar a pessoa costuma ser mais inteligente do que tentar consertar um numero na relogio.

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