As afirmativas a seguir, acerca de fenômenos psicopatológicos, estão corretas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Alucinações cenestésicas, ou somáticas, que ocorrem como sensações incomuns e claramente anormais em diferentes partes ou órgãos do corpo, (como sentir o cérebro encolhendo, o fígado despedaçando, ou as mãos se esfarelando), são características da síndrome de Cotard.
Errada, porque a descrição é de alucinações somáticas/cenestésicas, mas a síndrome de Cotard se associa a delírios niilistas, não a esse tipo de alucinação.
- B)A alexitimia está relacionada à dificuldade de identificar sentimentos e outras experiências subjetivas e diferenciá-las de sensações corporais.
Certa, pois a alexitimia é a dificuldade de identificar e expressar sentimentos, confundindo emoções com sensações corporais.
- C)As alucinações auditivas de cunho verbal/linguístico são fenômenos comuns na esquizofrenia.
Certa, porque alucinações auditivas verbais são um fenômeno muito frequente na esquizofrenia.
- D)As alucinações hipnagógicas, que ocorrem no processo de despertar do sono, são fenômenos patológicos típicos de psicoses em geral.
Errada, pois as alucinações hipnagógicas ocorrem ao adormecer e não são fenômenos típicos de psicoses em geral.
- E)Na ilusão, há sempre um objeto externo real, gerador do processo de sensopercepção, mas tal percepção é deformada, adulterada. Este fenômeno pode ocorrer quando há rebaixamento do nível de consciência.
Certa, já que ilusão é a percepção deformada de um objeto real e pode ocorrer em rebaixamento do nível de consciência.
Gabarito: D
Neste tema, o segredo é separar fenômenos de sensopercepção de alterações do pensamento e da vivência do eu. Alucinação é percepção sem objeto externo, enquanto ilusão é percepção deformada de um objeto real. Já a alexitimia não é uma alucinação nem uma psicose: é a dificuldade de reconhecer, nomear e diferenciar emoções de sensações corporais. As alucinações auditivas verbais são clássicas na esquizofrenia, especialmente as vozes comentando, dialogando ou dirigindo o paciente. Também é comum que fenômenos perceptivos surjam em estados de sonolência, como os hipnagógicos, mas isso não os torna, por si só, típicos de psicose. Eles podem ocorrer em pessoas sem transtorno mental, sobretudo na transição sono-vigília. O erro da questão está justamente na alternativa D: ela troca o momento do fenômeno e ainda o trata como patológico típico de psicoses em geral. As alucinações hipnagógicas ocorrem ao adormecer, não ao despertar, quando são chamadas de hipnopômpicas. Na psiquiatria clássica, esses fenômenos são frequentemente considerados parassonias ou experiências não necessariamente psicóticas. Outro ponto importante: a descrição da alternativa A lembra alucinações cenestésicas ou somáticas, mas isso se relaciona mais a quadros como esquizofrenia e delírios somáticos, não à síndrome de Cotard, que é marcada por delírios niilistas, como a crença de estar morto ou de não ter órgãos. Em prova, a banca gosta de misturar nomes parecidos para testar se você está lendo com calma.