Em relação à possibilidade de classificação sistemática e importância para a clínica psiquiátrica de uma psicopatologia fenomenológica, segundo Dalgalarrondo é possível distinguir três grupos de fenômenos. A respeito desses fenômenos, analise as afirmativas a seguir. I. Fenômenos encontrados em todos os seres humanos: fazem parte de uma categoria ampla demais para a classificação, sendo pouco útil seu estudo taxonômico para as doenças mentais. II. Fenômenos encontrados em algumas pessoas, mas não em todas: são os fenômenos de maior interesse para a classificação diagnóstica em psicopatologia; aqui, situam-se a maioria dos sinais, sintomas e transtornos mentais. III. Fenômenos encontrados em apenas um ser humano em particular (totalmente singular): esses fenômenos, embora de interesse fundamental para a compreensão de um ser humano particular, são restritos demais e de difícil classificação e agrupamento, tendo maior interesse seus aspectos antropológicos, existenciais e estéticos que propriamente taxonômicos. Está correto o que se afirma em
- A)I e II, apenas.
Errada, porque as afirmativas I e II estão corretas, mas a III também está.
- B)II e III, apenas.
Errada, porque a I também está correta e não pode ser excluída.
- C)I e III, apenas.
Errada, porque a II está correta e não deve ser descartada.
- D)I, II e III.
Certa, pois as três afirmativas reproduzem exatamente a divisão proposta por Dalgalarrondo.
- E)II, apenas.
Errada, porque a I também é verdadeira e faz parte da classificação dos fenômenos.
Gabarito: D
Dalgalarrondo, ao falar de psicopatologia fenomenológica, organiza os fenômenos mentais em três grupos para mostrar o que ajuda, e o que atrapalha, a classificação clínica. O primeiro grupo reúne os fenômenos presentes em todos os seres humanos, como experiências muito gerais da vida psíquica. Eles existem, claro, mas são tão amplos que quase não servem para diferenciar doença mental de normalidade. O segundo grupo é o mais útil para a psiquiatria clínica: são os fenômenos encontrados em algumas pessoas, mas não em todas. Aqui entram muitos sinais, sintomas e transtornos, justamente porque permitem comparar, classificar e diagnosticar. É o terreno preferido da taxonomia psiquiátrica, onde a clínica trabalha com mais precisão. O terceiro grupo corresponde aos fenômenos totalmente singulares, encontrados em um único sujeito ou em forma muito particular. Eles são muito importantes para compreender a história e a subjetividade de uma pessoa, mas são pouco práticos para criar categorias diagnósticas. Por isso, interessam mais à antropologia, à existência e até à estética do que à classificação nosológica. Assim, as três afirmativas estão corretas: a I descreve bem os fenômenos universais e sua baixa utilidade taxonômica, a II aponta os fenômenos mais relevantes para o diagnóstico, e a III trata dos fenômenos singulares, que escapam da classificação sistemática. É por isso que o gabarito é D.