Os transtornos do desenvolvimento intelectual são caracterizados pelo comprometimento das funções cognitivas e comportamentais desde o período de desenvolvimento da infância. Sobre as deficiências intelectuais, assinale a afirmativa correta.
- A)Mesmo na classificação limítrofe, existe o impedimento do processo de alfabetização e aprendizado acadêmico logo nos primeiros anos de vida escolar.
Errada, porque a deficiência intelectual limítrofe não impede necessariamente alfabetização e aprendizado acadêmico nos primeiros anos, podendo haver escolarização com apoio.
- B)O diagnóstico de deficiência intelectual pode ser realizado a partir dos dois anos de idade, a partir da identificação do atraso nos marcos do desenvolvimento.
Errada, porque o diagnóstico não depende apenas de ter 2 anos ou de atraso em marcos do desenvolvimento; ele exige avaliação global de funções intelectuais e adaptativas ao longo do desenvolvimento.
- C)É considerada deficiência intelectual um quociente de inteligência (QI) abaixo de 80 pontos.
Errada, porque não se considera deficiência intelectual apenas por QI abaixo de 80; em geral, o ponto de corte fica em torno de 70 a 75, sempre associado ao prejuízo adaptativo.
- D)O prejuízo nas funções adaptativas não interfere necessariamente na capacidade de o indivíduo ter uma vida independente e autônoma.
Errada, porque o prejuízo adaptativo interfere sim na autonomia e na capacidade de vida independente, que é justamente um dos eixos do diagnóstico.
- E)Para estabelecer o diagnóstico, é necessário que haja déficit funcional na vida diária decorrente não só do comprometimento da inteligência, mas também do comportamento e das relações interpessoais.
Certa, porque o diagnóstico exige déficit funcional na vida diária, com prejuízo intelectual e adaptativo, incluindo comportamento e relações interpessoais.
Gabarito: E
Os transtornos do desenvolvimento intelectual, antes chamados de retardo mental, não são definidos apenas por um número de QI. O ponto central é o prejuízo em duas frentes: funções intelectuais e funcionamento adaptativo, sempre com início no período do desenvolvimento. Em outras palavras, não basta "ir mal na prova", porque a vida real também entra na conta. Pela lógica do DSM-5 e também da prática clínica, o diagnóstico exige dificuldade funcional em áreas como comunicação, autonomia, responsabilidade social, desempenho escolar e convivência. É por isso que a avaliação não olha só para o raciocínio abstrato, mas também para comportamento, relações interpessoais e capacidade de se virar no dia a dia. A alternativa E está correta porque descreve justamente esse requisito funcional: o déficit precisa repercutir na vida diária, envolvendo não apenas a inteligência, mas também o comportamento e as relações sociais. Esse é o coração do diagnóstico, que vai além da medida psicométrica. Um detalhe importante: a gravidade do transtorno é classificada hoje principalmente pelo nível de adaptação, e não apenas pelo QI. O QI ajuda, mas não manda sozinho na decisão. É a velha lição da psiquiatria: o exame é importante, mas a vida prática fala mais alto.