Leia o fragmento a seguir. A pesquisa psicopatológica tem identificado historicamente quão penetrante é a influência da afetividade sobre toda a vida mental, normal e patológica. A atenção é captada, dirigida, desviada ou concentrada em função do valor afetivo de determinado estímulo; a vivência do tempo oscila segundo o colorido afetivo do estado emocional no qual estamos; a memória é altamente detalhada ou muito pobre dependendo do significado afetivo dos fatos ocorridos; a sensopercepção pode se alterar em função de estados afetivos intensos, desencadeando, inclusive, alucinações em pessoas com psicoses. Nossos pensamentos e decisões tendem a seguir os imperativos de emoções e sentimentos, sejam eles conscientes, sejam não conscientes. DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais, 3ª Ed. Porto Alegre: Artmed. 2019. A influência que a vida afetiva, sobretudo o estado de humor (mas também as emoções, os sentimentos e as paixões), exerce constantemente sobre as demais funções psíquicas é conhecida como
- A)alexitimia.
Errada: alexitimia é a dificuldade de reconhecer, descrever ou verbalizar emoções, e não a influência do afeto sobre outras funções psíquicas.
- B)desrealização.
Errada: desrealização é a vivência de que o ambiente parece estranho, irreal ou alterado, sem relação com a predominância afetiva descrita no enunciado.
- C)prevalência afetiva.
Errada: prevalência afetiva não é o termo técnico clássico cobrado aqui; o conceito psicopatológico correto para essa influência global do afeto é catatimia.
- D)catatimia.
Certa: catatimia é a influência da vida afetiva sobre as demais funções psíquicas, alterando atenção, memória, percepção e pensamento.
- E)hipertimia.
Errada: hipertimia é elevação patológica do humor, como euforia ou expansividade, e não o fenômeno geral de o afeto comandar a vida mental.
Gabarito: D
A questão trata da forma como a vida afetiva colore e organiza o funcionamento psíquico inteiro. Em psicopatologia, isso aparece quando humor, emoções, sentimentos e paixões influenciam atenção, memória, percepção, pensamento e até as decisões da pessoa. Ou seja, não é só “estar triste” ou “estar alegre”: é o estado afetivo comandando o resto do aparelho mental. Esse fenômeno é chamado de catatimia. A ideia central é simples: o conteúdo afetivo interfere na forma como a pessoa percebe e interpreta a realidade, podendo deformar lembranças, julgamentos e até a sensopercepção. É um conceito muito usado na tradição psicopatológica descrita por Dalgalarrondo e outros autores clássicos da área. Por isso o gabarito é a letra D. O enunciado praticamente entrega a definição ao dizer que a influência da vida afetiva exerce constantemente efeito sobre as demais funções psíquicas. Isso é exatamente a catatimia: a predominância do fator afetivo sobre os demais processos mentais. As demais alternativas trazem termos de outros fenômenos psíquicos: alexitimia é dificuldade de identificar e nomear emoções; desrealização é sensação de estranheza do ambiente; hipertimia é humor patologicamente exaltado. Então, aqui, o ponto-chave é perceber que o autor está falando da interferência afetiva global na vida mental.