Um critério obrigatório para o diagnóstico da demência frontotemporal é:
- A)prejuízo significativo na memória episódica;
Errada, porque prejuízo significativo da memória episódica é mais típico de Alzheimer e não é o critério obrigatório da demência frontotemporal.
- B)declínio da função executiva e do controle comportamental;
Certa, porque o declínio da função executiva e do controle comportamental é o núcleo clínico da demência frontotemporal, especialmente na variante comportamental.
- C)apraxia e agnosia visuoespacial;
Errada, porque apraxia e agnosia visuoespacial sugerem mais comprometimento parietal, como no Alzheimer, e não definem a frontotemporal.
- D)distúrbios do sono e sonolência excessiva diurna;
Errada, porque distúrbios do sono e sonolência diurna podem aparecer em várias condições, mas não são critério obrigatório para demência frontotemporal.
- E)déficits motores, como tremores e bradicinesia.
Errada, porque tremor e bradicinesia são sinais extrapiramidais mais ligados a parkinsonismos, e não ao diagnóstico obrigatório de demência frontotemporal.
Gabarito: B
A demência frontotemporal é um grupo de síndromes em que o problema principal aparece, cedo, no comportamento e nas funções executivas. Em vez de começar pela memória, como muita gente imagina quando ouve “demência”, ela costuma bater primeiro no controle de impulsos, na organização do pensamento e na mudança de personalidade. Isso é o ponto-chave que a banca gosta de cobrar. Na prática, o paciente pode ficar mais desinibido, apático, perseverante, perder crítica social e ter dificuldade para planejar, julgar e adaptar o comportamento. Por isso, um critério obrigatório é o declínio da função executiva e do controle comportamental. É a cara da doença: o cérebro até fala, mas a “chefia” do comportamento começa a falhar. A memória episódica pode até ser afetada depois, mas não é o marcador inicial obrigatório. O mesmo vale para apraxia, agnosia visuoespacial e sintomas motores: eles apontam mais para outros quadros, como doença de Alzheimer ou parkinsonismos, e não definem a demência frontotemporal. Em resumo, se a questão falar em alteração comportamental precoce, desinibição e prejuízo executivo, acenda a luz verde para frontotemporal. O gabarito B está correto porque traduz exatamente esse núcleo sindrômico. A classificação diagnóstica moderna, como os critérios de Rascovsky e colaboradores para variante comportamental, enfatiza justamente a alteração progressiva de comportamento e cognição executiva como eixo central do diagnóstico.