Sobre a medicina dos canabinoides, analise as afirmativas a seguir. I. O THC (terahidrocanbinol) é um componente indicado como opção adequada para o tratamento de epilepsias refratárias. II. O canabidiol é uma molécula lipossolúvel que responde pelos efeitos psicotrópicos perturbadores da cannabis sativa. III. As medicações analgésicas como o paracetamol e a dipirona de alguma forma têm efeito agonista sobre o sistema endocanabinoide. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Esta alternativa diz que somente a afirmativa I estaria correta, isto é, que o THC seria opção adequada para epilepsias refratárias. O ponto técnico está invertido: quem tem indicação estudada e uso aprovado em alguns quadros refratários é o canabidiol (CBD), enquanto o THC é o principal responsável pelos efeitos psicoativos e não é a escolha terapêutica para esse fim. Portanto, a exclusividade conferida à I não encontra respaldo farmacológico.
- B)II, apenas.
Aqui se afirma que apenas a II estaria correta, o que significaria atribuir ao canabidiol os efeitos psicotrópicos perturbadores da cannabis sativa. Na realidade, o efeito psicoativo da planta decorre sobretudo do THC, e o CBD é justamente o componente com perfil não intoxicante, muito estudado em epilepsias refratárias. Assim, o conteúdo da II está trocado em relação ao que a farmacologia descreve.
- C)III, apenas.
A alternativa aponta apenas a III, segundo a qual paracetamol e dipirona, de algum modo, modulam o sistema endocanabinoide. Isso tem fundamento farmacológico: o paracetamol é metabolizado em AM404, substância ligada à sinalização endocanabinoide e à analgesia, e a dipirona também apresenta efeitos analgésicos associados a essa via. Como I e II não se confirmam, esta é a única opção compatível com o enunciado.
- D)I e II, apenas.
Esta opção combina I e II, supondo que o THC seja adequado para epilepsias refratárias e que o canabidiol seja o responsável pelos efeitos psicotrópicos da cannabis. Ocorre que a literatura e o uso clínico apontam o oposto: o CBD é o canabinoide empregado em alguns casos de epilepsia refratária, e o THC é o composto mais relacionado à psicoatividade. Como a III é a única afirmativa com base, essa combinação não se sustenta.
- E)II e III, apenas.
A alternativa reúne II e III, então admite tanto a ideia de que o canabidiol causa os efeitos psicotrópicos da cannabis quanto a de que analgésicos comuns modulam o sistema endocanabinoide. A segunda parte é aceitável, mas a primeira inverte os papéis dos canabinoides, porque o efeito psicoativo é atribuído principalmente ao THC, não ao CBD. Além disso, a afirmativa I também não procede, de modo que a resposta não pode ser essa.
Gabarito: C
A medicina dos canabinoides costuma confundir porque nem toda substância da cannabis faz a mesma coisa. O THC é o principal componente psicoativo da planta, associado a euforia, alteração perceptiva e outros efeitos centrais, então ele não é a molécula clássica indicada para epilepsias refratárias. Quem ganhou espaço terapêutico nessa área foi o canabidiol (CBD), especialmente em algumas síndromes epilépticas específicas, por ter efeito anticonvulsivante e não ser o responsável pelos efeitos psicotrópicos perturbadores. A afirmativa II erra justamente nisso: o CBD não é o vilão psicoativo da cannabis. Esse papel é do THC. Em prova, a banca adora trocar os nomes para ver se você está lendo no modo automático. Aqui, atenção total aos conceitos: THC = psicoativo; CBD = mais usado medicinalmente, sem os efeitos intoxicantes típicos. A afirmativa III é a correta. Alguns analgésicos, como o paracetamol e a dipirona, podem modular indiretamente o sistema endocanabinoide, com ação sobre vias relacionadas a metabólitos que interagem com receptores e enzimas desse sistema. Não é o mesmo que dizer que são “canabinoides”, mas existe essa ponte farmacológica. Por isso, entre as três assertivas, apenas a III se sustenta, fechando o gabarito C.