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Psiquiatria · FGV · 2023

Questão comentada de Psiquiatria

Sobre o transtorno doloroso, um dos transtornos psicossomáticos mais comuns, analise as afirmativas a seguir. I. Uma dor apenas física pode ser difícil de distinguir de uma dor apenas psicogênica, sobretudo porque as duas não são mutuamente excludentes. A dor física flutua em intensidade e é muito sensível a influências emocionais, cognitivas, atencionais e situacionais. II. Devido à grande comorbidade entre transtorno doloroso e outras condições de sofrimento mental, o tratamento deve incluir tais comorbidades; o biofeedback pode ser útil no tratamento do transtorno doloroso, em particular com dor de enxaqueca, dor miofascial e estados de tensão muscular, como dores de cabeça tensionais. III. É importante observar a influência de ganhos secundários nas síndromes dolorosas, que podem reforçar ou mesmo gerar um componente psicogênico. Está correto o que se afirma em

Gabarito: E

O transtorno doloroso aparece, em linhas gerais, quando a dor vira o centro da vida do paciente e passa a ter forte interferência psíquica, comportamental e funcional. O ponto importante aqui é que dor física e dor de origem psicológica não são caixas separadas e estanques: na prática, elas costumam se misturar, e fatores emocionais, atenção, estresse e contexto podem amplificar a percepção dolorosa. Por isso a afirmativa I está correta. A afirmativa II também está correta porque, em psiquiatria, raramente vale tratar a dor isoladamente quando há comorbidades como ansiedade, depressão e outros quadros de sofrimento mental. O manejo costuma ser integrado, e técnicas como o biofeedback podem ajudar especialmente em situações em que há componente de tensão muscular, cefaleia tensional, enxaqueca e dor miofascial. Ou seja, não é só “dar remédio e pronto”: o cérebro participa bastante da dor. A afirmativa III igualmente está correta. Ganhos secundários, como atenção excessiva, afastamento de atividades desagradáveis ou benefícios indiretos, podem reforçar o sintoma doloroso e até ajudar a sustentar um componente psicogênico. Isso não significa que a dor seja “falsa”, mas sim que o contexto pode manter ou piorar o quadro. Por isso, o gabarito é E, pois as três afirmativas estão alinhadas com a visão clínica clássica do transtorno doloroso na psiquiatria. Em prova, a FGV costuma cobrar justamente essa ideia de integração entre corpo e mente, sem cair na armadilha de separar dor física e psíquica como se fossem mundos independentes.

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