Sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), assinale a afirmativa correta.
- A)Muitos indivíduos com TEA também apresentam comprometimento intelectual e/ou da linguagem.
Certa: é frequente no TEA haver comprometimento intelectual e/ou da linguagem, especialmente nos casos com maior prejuízo global do desenvolvimento.
- B)Déficits motores raramente estão presentes.
Errada: déficits motores podem estar presentes no TEA, inclusive com alterações de coordenação, marcha e planejamento motor.
- C)Comportamentos disruptivos/desafiadores são mais raros em crianças e adolescentes com TEA.
Errada: comportamentos disruptivos e desafiadores são relativamente comuns em crianças e adolescentes com TEA, não raros.
- D)Os sintomas iniciam sempre após 24 meses de vida.
Errada: os sintomas não surgem sempre após 24 meses; muitos sinais aparecem antes disso, e podem ser percebidos bem precocemente.
- E)Na avaliação inicial, não devemos considerar um diagnóstico de surdez.
Errada: na avaliação inicial, a surdez deve sim ser considerada no diagnóstico diferencial, para não confundir déficit auditivo com alteração de სოციალურ/comunicação.
Gabarito: A
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, os sinais aparecem cedo e afetam principalmente comunicação social e comportamento. Na prática, ele não vem sozinho com um único “molde”: há grande variabilidade entre os pacientes, e por isso alguns têm prejuízo intelectual, outros têm atraso ou alteração de linguagem, e outros podem ter ambos. É por isso que a alternativa A está correta: muitos indivíduos com TEA também apresentam comprometimento intelectual e/ou da linguagem, o que é muito frequente na clínica e cobrado em prova como característica associada, embora não obrigatória. As demais alternativas tentam confundir você com generalizações erradas. No TEA, podem existir déficits motores, comportamentos disruptivos e início dos sintomas antes dos 24 meses ou até com sinais percebidos mais cedo pelos cuidadores. Além disso, na avaliação inicial, sempre é importante pensar em diagnóstico diferencial, incluindo deficiência auditiva, porque criança que não responde pode não estar “desatenta”, e sim com perda auditiva. O raciocínio correto é: primeiro observar o desenvolvimento global, depois testar hipóteses, sem cair na armadilha de achar que todo comportamento incomum é autismo. Em termos de base doutrinária, os critérios diagnósticos do DSM-5-TR e da CID-11 reforçam que o TEA pode coexistir com deficiência intelectual e/ou prejuízo de linguagem, o que torna essa associação muito comum na avaliação clínica e nas questões de prova. A banca costuma explorar exatamente essas comorbidades e os diagnósticos diferenciais mais óbvios, como surdez.