Mulher de 24 anos tem história de transtorno bipolar e está bem controlada com carbamazepina nos últimos dois anos. Ela está planejando iniciar um método contraceptivo, uma vez que se encontra sexualmente ativa. Assinale a opção que indica, entre os listados, o método contraceptivo que seria a melhor escolha para essa paciente, tendo em vista a medicação de que faz uso atualmente.
- A)Contraceptivo hormonal em adesivo.
Errada: o contraceptivo em adesivo depende de hormônios sistêmicos e pode ter sua eficácia reduzida pela carbamazepina.
- B)Dispositivo intrauterino com levonorgestrel.
Certa: o DIU com levonorgestrel atua principalmente localmente, sofrendo menos impacto da indução enzimática da carbamazepina.
- C)Contraceptivo hormonal combinado em baixas doses.
Errada: o contraceptivo combinado em baixas doses fica ainda mais sujeito à falha com indutores enzimáticos como a carbamazepina.
- D)Implante de progesterona.
Errada: o implante de progesterona também pode ter sua eficácia diminuída por medicamentos indutores do CYP3A4.
- E)Anel vaginal.
Errada: o anel vaginal é um método hormonal sistêmico e, portanto, pode perder eficácia com a carbamazepina.
Gabarito: B
A carbamazepina é um clássico indutor enzimático hepático, especialmente do CYP3A4. Traduzindo para a vida real: ela acelera o metabolismo de vários hormônios contraceptivos e pode deixar métodos sistêmicos menos eficazes, aumentando o risco de falha anticoncepcional. Por isso, em quem usa esse remédio, você deve pensar com carinho em métodos que não dependam tanto de níveis hormonais no sangue. Os anticoncepcionais combinados por via sistêmica, como adesivo, anel vaginal e pílula, ficam mais vulneráveis a essa interação. O implante de progesterona também pode ter sua eficácia reduzida por indutores enzimáticos, então não é a melhor aposta quando a ideia é evitar gravidez com segurança. Já o dispositivo intrauterino com levonorgestrel age principalmente de forma local no útero, com baixa exposição sistêmica. Isso faz dele uma escolha mais robusta diante do uso de carbamazepina. Em provas, a lógica é: se o fármaco bagunça o metabolismo hormonal, prefira método intrauterino, porque ele dribla melhor essa interação. Em termos práticos, a banca quer que você reconheça a interação fármaco-contraceptivo e escolha o método menos afetado. Entre as opções oferecidas, o DIU com levonorgestrel é o mais adequado.