Assinale a opção que apresenta um efeito das medicações antidepressivas sobre os sintomas depressivos e proteção neuronal, respectivamente.
- A)Diminuição de glicocorticoides e aumento do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF).
Correta: antidepressivos tendem a reduzir glicocorticoides e aumentar BDNF, associando melhora dos sintomas a proteção neuronal.
- B)Redução do volume cortical e aumento da disponibilidade de serotonina.
Errada: redução do volume cortical não é efeito desejável dos antidepressivos, e a melhora clínica não é descrita assim.
- C)Diminuição do BDNF e aumento da atividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.
Errada: a depressão se relaciona com diminuição de BDNF e hiperatividade do eixo HHA, não com o inverso.
- D)Aumento de glicocorticoides e diminuição do BDNF.
Errada: antidepressivos não levam a aumento de glicocorticoides; ao contrário, ajudam a reduzir essa resposta ao estresse.
- E)Aumento da atividade em estriado ventral e redução do volume cortical.
Errada: aumento de atividade em estriado ventral pode se relacionar a circuitos de recompensa, mas redução de volume cortical não caracteriza proteção neuronal.
Gabarito: A
Os antidepressivos, além de melhorarem humor, energia e sono ao modular neurotransmissores como serotonina e noradrenalina, também parecem atuar em sistemas ligados ao estresse crônico. Um ponto importante é que a depressão costuma se associar a hiperatividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, com maior liberação de glicocorticoides, como o cortisol. Quando o tratamento funciona, esse excesso tende a cair, o que ajuda a “desafogar” o cérebro do modo alerta constante. Outro efeito relevante é o aumento do BDNF, o fator neurotrófico derivado do cérebro. Pense nele como um “fertilizante” neuronal: ele favorece plasticidade sináptica, sobrevivência neuronal e recuperação de circuitos afetivos. Por isso, a ideia de proteção neuronal em psicofarmacologia costuma andar junto com elevação de BDNF e redução do impacto tóxico do estresse crônico. A alternativa A está correta porque descreve justamente essa dupla lógica: menos glicocorticoides, o que reduz o ambiente biológico de estresse, e mais BDNF, o que favorece proteção e adaptação neuronal. Em provas de psiquiatria, isso aparece como a ponte entre melhora clínica e neuroplasticidade, não como simples “aumento de serotonina”. Não é raro a banca misturar efeito sintomático com efeito neurobiológico mais amplo. Então, quando a questão fala em sintomas depressivos e proteção neuronal, a resposta costuma vir nessa linha: regulação do eixo do estresse e aumento de fatores tróficos.