Sobre a Consciência do Eu, relacione as funções psicopatológicas a seguir com suas alterações. 1 – Unidade do Eu 2 – Identidade do Eu no Tempo 3 – Oposição do Eu em relação ao mundo 4 – Atividade do Eu ( ) Atualmente, em comparação a sua vida anterior, o Eu não é a mesma pessoa, chegando a usar a terceira pessoa para se referir ao Eu do passado. ( ) Vivência radical de cisão do Eu, quando ambas as séries de identificações e processos anímicos se desenvolvem de forma absolutamente simultânea e contraditória, uma ao lado da outra. ( ) Os pacientes identificam-se completamente com os objetos (pessoas, animais, máquinas) do mundo externo. O indivíduo sente que seu Eu se expande para o mundo exterior e dele não mais se diferencia. ( ) Suspensão da sensação normal de existência do próprio Eu, corporal e psíquico, e/ou sente que, de fato, foi outro que pensou ou desejou seus pensamentos ou desejos e os impôs de alguma maneira. Assinale a opção que apresenta a relação correta, na ordem dada
- A)3 – 4 – 2 – 1.
Errada, porque embaralha todas as funções psicopatológicas e não respeita a ordem das alterações descritas.
- B)2 – 1 – 3 – 4.
Certa, pois relaciona corretamente identidade no tempo, unidade do Eu, oposição ao mundo e atividade do Eu, nessa ordem.
- C)1 – 2 – 3 – 4.
Errada, porque troca a identidade do Eu no tempo pela unidade do Eu logo no início.
- D)2 – 3 – 1 – 4.
Errada, porque atribui a segunda descrição à oposição do Eu, quando ela expressa perda da unidade do Eu.
- E)4 – 2 – 3 – 1.
Errada, porque começa pela atividade do Eu e mantém a sequência das demais funções deslocada.
Gabarito: B
A Consciência do Eu é aquele bloco da psicopatologia que tenta responder uma pergunta bem simples e bem importante: "quem sou eu, aqui dentro, e em relação ao mundo?". Ela costuma ser descrita em quatro funções: unidade do Eu, identidade do Eu no tempo, oposição do Eu em relação ao mundo e atividade do Eu. Isso aparece na psicopatologia clássica, como nos autores de referência usados em psiquiatria, a exemplo de Jaspers e da tradição difundida em manuais como o de Dalgalarrondo. Na questão, a primeira descrição fala de alguém que, hoje, não se reconhece como a mesma pessoa de antes e até usa a terceira pessoa para falar de si no passado. Isso é falha da identidade do Eu no tempo. A segunda fala de cisão radical do Eu, com processos simultâneos e contraditórios, o que aponta para perda da unidade do Eu. A terceira descreve uma fusão com o mundo externo, em que a pessoa deixa de se diferenciar dos objetos: aí está a alteração da oposição do Eu em relação ao mundo. A quarta descrição mostra suspensão da sensação normal de existência do próprio Eu e a impressão de que pensamentos ou desejos foram impostos por outro. Isso corresponde à alteração da atividade do Eu, porque o sujeito deixa de se perceber como autor de seus próprios atos psíquicos. É aquele tipo de quadro em que o "eu pensei" vira quase "pensaram em mim". Por isso, a sequência correta é 2 - 1 - 3 - 4, que corresponde à alternativa B. Se você decorar o eixo "tempo, unidade, fronteira com o mundo e autoria da ação psíquica", fica muito mais fácil não cair nas inversões da banca.