A depressão pós-parto caracteriza-se por um quadro depressivo semelhante aos das não grávidas, com maior frequência de obsessões com conteúdo de agressão ao bebê, além de humor lábil e sintomas ansiosos. Sobre a depressão pós-parto, assinale a afirmativa correta.
- A)Ocorre em cerca de 2-5% das puérperas, geralmente até 6 semanas após o nascimento do bebê. A DSM-5 coloca 4 semanas como o limite para o início do quadro.
Errada, porque subestima a frequência e também erra o limite do DSM-5, que é de 4 semanas e não 6.
- B)Ocorre em cerca de 10-15% das puérperas, geralmente até 6 semanas após o nascimento do bebê. A DSM-5 coloca 6 semanas como o limite para o início do quadro.
Errada, porque a prevalência indicada até bate melhor, mas o DSM-5 não usa 6 semanas como limite, e sim 4 semanas.
- C)Ocorre em cerca de 8-10% das puérperas, geralmente até 10 semanas após o nascimento do bebê. A DSM-5 coloca 8 semanas como o limite para o início do quadro.
Errada, porque a prevalência e o intervalo temporal estão fora do padrão clássico cobrado em psiquiatria perinatal.
- D)Ocorre em cerca de 8-10% das puérperas, geralmente até 10 semanas após o nascimento do bebê. A DSM-5 coloca 5 semanas como o limite para o início do quadro.
Errada, porque o limite temporal do DSM-5 está incorreto e a prevalência também não é a mais aceita.
- E)Ocorre em cerca de 10-15% das puérperas, geralmente até 6 semanas após o nascimento do bebê. A DSM-5 coloca 4 semanas como o limite para o início do quadro.
Certa, porque a prevalência de 10-15% e o aparecimento em até 6 semanas são compatíveis com a descrição clínica clássica, e o DSM-5 define o especificador temporal em 4 semanas após o parto.
Gabarito: E
A depressão pós-parto é, em essência, um episódio depressivo maior que aparece no puerpério e costuma lembrar bastante a depressão fora da gestação: tristeza, anedonia, culpa, alteração de sono e apetite, fadiga e prejuízo funcional. O que chama atenção é que, no pós-parto, podem surgir com mais frequência ansiedade, humor muito lábil e pensamentos obsessivos de agressão ao bebê, o que assusta bastante a paciente, mas nem sempre significa risco iminente de ato violento. Do ponto de vista epidemiológico, a condição é relativamente comum: ocorre em cerca de 10 a 15% das puérperas. Em geral, o início é nas primeiras 6 semanas após o nascimento, que é a janela clínica clássica cobrada em prova. A pegadinha da FGV costuma misturar essa descrição clínica com o especificador temporal do DSM-5. O manual usa o especificador de início no periparto quando o início ocorre durante a gestação ou nas 4 semanas após o parto. Então, para a banca, a combinação correta é prevalência de 10-15%, início usual até 6 semanas e limite DSM-5 de 4 semanas. Em resumo: quadro depressivo semelhante ao das não grávidas, mas com mais ansiedade, labilidade e obsessões envolvendo o bebê, prevalência em torno de 10-15%, e especificador do DSM-5 limitado às 4 semanas após o parto.