Os transtornos neurocognitivos abrangem o grupo de transtornos em que o déficit clínico primário está na função cognitiva e de forma adquirida, o que os difere dos transtornos do neurodesenvolvimento. Assinale a opção que apresenta um critério diagnóstico presente no Transtorno Neurocognitivo Maior e não no Transtorno Neurocognitivo Menor, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-V).
- A)Perturbação da atenção e da consciência.
Errada, porque perturbação da atenção e da consciência é mais típica de delirium, não dos transtornos neurocognitivos em geral.
- B)Déficits cognitivos que interferem na independência em atividades da vida diária.
Certa, porque no transtorno neurocognitivo maior os déficits cognitivos interferem na independência em atividades da vida diária, diferindo do menor.
- C)Preocupação de um indivíduo ou informante de que ocorreu um declínio da função cognitiva.
Errada, porque a preocupação com declínio cognitivo pode aparecer tanto no transtorno neurocognitivo maior quanto no menor.
- D)Prejuízo no desempenho cognitivo documentado por teste neuropsicológico padronizado.
Errada, porque prejuízo documentado por teste neuropsicológico padronizado pode existir em ambos os quadros, maior e menor.
- E)Curso temporal dos déficits cognitivos consistente com período em que ocorreu o uso ou abstinência de uma substância ou medicamento.
Errada, porque essa descrição remete a transtorno neurocognitivo ou transtorno induzido por substância/medicamento, não é o critério distintivo entre maior e menor.
Gabarito: B
Os transtornos neurocognitivos no DSM-5 formam um grupo em que o problema central é a cognição adquirida, como memória, atenção, linguagem e função executiva. A grande diferença entre o transtorno neurocognitivo maior e o menor é o grau de prejuízo funcional: no maior, os déficits cognitivos interferem na independência da pessoa, então ela passa a precisar de ajuda para atividades do dia a dia; no menor, há declínio cognitivo, mas a autonomia geral é preservada, ainda que a pessoa faça tudo mais devagar ou com mais esforço. O raciocínio da prova é esse: ambas as categorias exigem declínio cognitivo e algum critério de documentação, mas só o quadro maior traz perda de independência funcional. Em linguagem de prova, o transtorno neurocognitivo maior é o que derruba a autonomia, enquanto o menor ainda deixa o paciente mais ou menos de pé sozinho.