Em relação ao transtorno do espectro autista, é correto afirmar que:
- A)o DSM-5 mudou a conceituação do transtorno do espectro do autismo em direção a um modelo contínuo no qual a homogeneidade dos sintomas é o que caracteriza o transtorno;
Errada: o DSM-5 ampliou a ideia de espectro e reconheceu heterogeneidade clínica, não homogeneidade dos sintomas.
- B)o desenvolvimento e o uso aberrante da linguagem não são mais considerados característica primordial do transtorno;
Certa: no DSM-5, a linguagem não é mais característica primordial isolada do transtorno, que passou a ser definido sobretudo por comunicação social e comportamentos restritos/repetitivos.
- C)no transtorno de Asperger, as habilidades cognitivas e as habilidades adaptativas significativas são apropriadas à idade, assim como a comunicação social;
Errada: a síndrome de Asperger não é descrita assim, pois costuma haver prejuízo social significativo, ainda que sem atraso global importante de linguagem ou cognição.
- D)a síndrome de Rett, que estava no DSM-IV e permanece no CID-10, parece ocorrer exclusivamente em homens e é caracterizada por desenvolvimento normal por pelo menos 6 meses;
Errada: a síndrome de Rett ocorre quase exclusivamente em meninas, e o desenvolvimento inicial costuma ser normal por período maior, com regressão posterior.
- E)mais da metade das crianças que atendem aos critérios do DSM-5 para transtorno do espectro autista apresentam deficiência intelectual.
Errada: nem mais da metade dos casos de TEA no DSM-5 apresentam deficiência intelectual; há grande variabilidade e muitos pacientes têm inteligência na faixa normal.
Gabarito: B
O transtorno do espectro autista, no DSM-5, deixou de ser visto como um conjunto de subtipos separados e passou a ser entendido como um espectro, isto é, uma faixa contínua de apresentação clínica. A ideia aqui não é que os sintomas sejam homogêneos, e sim que haja variabilidade de intensidade e de combinação entre prejuízos na comunicação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento. É aquele quadro em que dois pacientes podem ter o mesmo diagnóstico, mas perfis bem diferentes. O ponto central do DSM-5 foi reorganizar os critérios. Antes, a linguagem era muito destacada em alguns subtipos, como o transtorno autista e a síndrome de Asperger. Agora, o diagnóstico é sustentado principalmente por dois blocos: déficits persistentes na comunicação social e na interação social, mais padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Por isso, o desenvolvimento e o uso aberrante da linguagem deixaram de ser característica primordial isolada do transtorno. Essa mudança explica por que a alternativa B está correta. A linguagem continua importante na avaliação clínica, mas não é mais o eixo definidor do transtorno como era em classificações anteriores. Em outras palavras, o DSM-5 tirou a linguagem do centro do palco e colocou a comunicação social no foco principal. As demais alternativas trazem erros clássicos de prova, misturando DSM-IV, CID-10 e descrições antigas de síndromes específicas. Em concurso, a banca adora trocar a etiqueta do diagnóstico e ver quem cai no conto do passado recente.