Muitos agentes aprovados para o tratamento da demência de Alzheimer baseiam-se no aumento da disponibilidade do neurotransmissor acetilcolina. A respeito dos medicamentos inibidores da colinesterase, assinale a afirmativa correta.
- A)A ação clínica desses medicamentos depende da existência de receptores colinérgicos pós sinápticos.
Certa: a melhora clínica só ocorre se houver receptores colinérgicos pós-sinápticos para responder ao aumento de acetilcolina.
- B)A donepezila age por meio da inibição da acetilcolinesterase e da butirilcolinesterase.
Errada: a donepezila inibe principalmente acetilcolinesterase, não é descrita como inibidora relevante de butirilcolinesterase.
- C)A donepezila tem ação inibidora colinesterásica apenas no sistema nervoso central.
Errada: a donepezila não atua apenas no SNC; ela também pode ter ação periférica, embora o objetivo terapêutico seja central.
- D)A ação seletiva da rivastigmina sobre a acetilcolinesterase e não sobre a butirilcolinesterase explica a maior efetividade desta droga em relação às outras da mesma classe.
Errada: a rivastigmina inibe acetilcolinesterase e butirilcolinesterase, e não é mais efetiva por ser seletiva para uma delas.
- E)Além da inibição da acetilcolinesterase, a galantamina exerce efeito antagonista não competitivo pelo receptor N-metil-Daspartato (NMDA).
Errada: o antagonismo não competitivo do receptor NMDA é da memantina, enquanto a galantamina atua como inibidor da acetilcolinesterase e modulador alostérico nicotínico.
Gabarito: A
Os inibidores da colinesterase são usados na doença de Alzheimer porque aumentam a disponibilidade de acetilcolina na fenda sináptica, tentando compensar a perda colinérgica típica da doença. Na prática, eles funcionam melhor quando ainda existem receptores colinérgicos pós-sinápticos capazes de receber esse sinal. Se o receptor não estiver lá, não adianta lotar a sinapse de acetilcolina: é como tocar a campainha da casa errada. Por isso, a ideia central da questão é simples: o efeito clínico desses remédios depende da presença de receptores colinérgicos pós-sinápticos funcionantes. Eles não criam uma via nova, apenas reforçam uma via que ainda existe. Esse raciocínio é clássico em farmacologia e ajuda a entender por que a resposta A está correta. Entre os fármacos da classe, a donepezila inibe sobretudo acetilcolinesterase, a rivastigmina inibe acetilcolinesterase e butirilcolinesterase, e a galantamina também modula receptores nicotínicos. Já o antagonismo NMDA é característica da memantina, não da galantamina. Em resumo: a classe melhora sintomas, mas não substitui o receptor que precisa estar funcional para o efeito aparecer.