Entre os aspectos não-verbais e as atitudes gerais do paciente deprimido que podem ser identificadas logo no início da entrevista e do exame psíquico e que estão classicamente relacionados à depressão, não se inclui
- A)o contato ocular diminuído.
Certa, porque o contato ocular diminuído é um achado muito comum em pacientes deprimidos, refletindo retraimento e redução da iniciativa comunicativa.
- B)a diminuição global dos gestos e movimentos.
Certa, porque a diminuição global dos gestos e movimentos corresponde à lentificação psicomotora típica da depressão.
- C)o tom de voz baixo ou monótono.
Certa, porque o tom de voz baixo ou monótono é um sinal clássico de rebaixamento do vigor afetivo e da expressividade na depressão.
- D)as estereotipias verbais ou faciais.
Errada, porque estereotipias verbais ou faciais não são típicas da depressão e sugerem outros quadros psiquiátricos ou neurológicos.
- E)o sinal do ômega.
Certa, porque o sinal do ômega é um achado semiológico frequentemente associado ao sofrimento depressivo.
Gabarito: D
Na entrevista psiquiátrica, o paciente deprimido costuma chamar atenção logo de início por um conjunto bem típico de sinais não verbais: pouco contato ocular, lentificação psicomotora, postura mais fechada, gestos escassos e fala baixa, lenta ou monótona. Ou seja, o corpo “fala” junto com o humor, e geralmente fala mais devagar e mais murchinho. Esse pacote de achados é clássico e ajuda muito antes mesmo de uma análise mais aprofundada do exame psíquico. Entre os sinais físicos e comportamentais mais lembrados na depressão estão o olhar pouco sustentado, a redução global de movimentos e a voz sem vibração, quase sem energia. Também pode aparecer o chamado sinal do ômega, uma marcação glabelar associada a rugas na testa que sugere sofrimento depressivo. Esses achados são descritos de forma consistente na semiologia psiquiátrica e nos textos clássicos de psicopatologia. A questão pede o que não se inclui nesse quadro. As estereotipias verbais ou faciais não são típicas de depressão; elas apontam muito mais para quadros como transtornos psicóticos, alguns transtornos do espectro autista ou síndromes neurológicas, em que há repetição estereotipada de palavras, sons ou movimentos. Na depressão, o que predomina é redução, empobrecimento e lentificação, não repetição automática e fixa. Então, a resposta é a alternativa D. Em linguagem de prova, pense assim: depressão costuma “tirar energia e expressão”, enquanto estereotipia costuma “repetir padrão”. Essa oposição ajuda bastante quando a banca tenta misturar semiologia afetiva com sinais de outros transtornos.