Um homem de 30 anos procura ajuda psiquiátrica queixando-se de que os outros são sempre muito injustos e exploradores com ele, mas não tem nenhuma evidência concreta. Preocupa-se com a falta de lealdade que sente que todos os seus amigos têm, lê conotações humilhantes ocultas nos comentários das outras pessoas e guarda rancor duradouro em relação às pessoas. A partir desses dados, o diagnóstico mais provável é de:
- A)transtorno da personalidade esquizotípica;
Errada, porque o transtorno esquizotípico tem excentricidade, pensamento mágico, crenças estranhas e distorções perceptivas, e isso não aparece no caso.
- B)transtorno da personalidade esquizoide;
Errada, porque o transtorno esquizoide é marcado por distanciamento social e frieza emocional, não por suspeita, ciúme e interpretação maliciosa.
- C)esquizofrenia;
Errada, porque esquizofrenia exigiria sintomas psicóticos mais claros, como delírios ou alucinações, e o caso descreve padrão de personalidade persistente.
- D)transtorno da personalidade paranoide;
Certa, porque há desconfiança generalizada, interpretação de intenções alheias como ofensivas e rancor duradouro, quadro típico de personalidade paranoide.
- E)transtorno da personalidade borderline.
Errada, porque o borderline gira mais em torno de instabilidade afetiva, impulsividade, medo de abandono e relacionamentos intensos e turbulentos, não de suspeita persistente como eixo central.
Gabarito: D
A questão descreve um padrão clássico de desconfiança e interpretação maldosa das intenções alheias, sem base concreta. A pessoa entende comentários neutros como ataques, suspeita de traição, enxerga exploração onde talvez só exista convivência normal e ainda guarda rancor por muito tempo. Isso aponta para um modo persistente de funcionar, típico de transtorno de personalidade, e não para um surto psicótico isolado. No transtorno da personalidade paranoide, o centro do quadro é a desconfiança exagerada. O paciente tende a acreditar que os outros querem prejudicá-lo, explorá-lo ou enganá-lo, lê significados ocultos e ofensivos em falas comuns e é muito sensível a ofensas e à lealdade alheia. É aquele perfil que vive em modo "radar ligado", procurando ameaça até onde não tem. O caso descreve exatamente isso. Já esquizofrenia exigiria sinais de psicose mais nítidos, como delírios firmes, alucinações, pensamento desorganizado ou prejuízo global mais importante. Aqui, o enunciado fala de traços persistentes de personalidade e não de um quadro psicótico franco. Por isso, o raciocínio é de transtorno de personalidade, não de esquizofrenia. Na lógica dos transtornos de personalidade do DSM-5 e da CID, o paranoide é marcado por desconfiança e suspeita generalizada, sem evidência suficiente. A FGV costuma cobrar justamente essa diferença entre traço paranoide, esquizofrenia, esquizotípico e esquizoide. Então, o gabarito é a alternativa D.