Acerca das técnicas de estimulação magnética transcraniana (EMT) e seu uso em psiquiatria, assinale a afirmativa correta.
- A)A estimulação repetitiva em baixa frequência (1Hz) costuma inibir a região cortical subjacente ao local da bobina.
Correta: a EMT repetitiva de baixa frequência, especialmente 1 Hz, reduz a excitabilidade cortical da área estimulada.
- B)A estimulação em alta frequência do tipo theta burst apresenta maior risco de desencadear crises convulsivas do que a estimulação repetitiva contínua de alta frequência.
Errada: protocolos theta burst e alta frequência não são, em regra, mais arriscados para convulsão do que a estimulação contínua de alta frequência.
- C)Idade maior que 65 anos, história de epilepsia, gestação e marca-passo cardíaco constituem contraindicações absolutas ao uso da EMT.
Errada: idade avançada, gestação, epilepsia e marca-passo não são contraindicações absolutas universais para EMT, embora alguns itens exijam avaliação cuidadosa.
- D)O efeito colateral mais comum da EMT é a indução de crises convulsivas.
Errada: o efeito colateral mais comum é cefaleia, desconforto local ou dor no couro cabeludo, não crises convulsivas.
- E)Atualmente o uso da EMT está aprovado no Brasil para tratamento da depressão refratária ao uso de medicamentos, transtornos de ansiedade generalizada e alucinações auditivas.
Errada: no Brasil, a indicação consolidada é principalmente para depressão, e a afirmação amplia indevidamente as indicações aprovadas.
Gabarito: A
A estimulação magnética transcraniana (EMT) usa campos magnéticos para modular a atividade cerebral, sendo muito cobrada em Psiquiatria por seu papel no tratamento da depressão resistente. A lógica básica é simples: a frequência e o padrão de pulso mudam o efeito sobre o córtex. Em geral, estimulação repetitiva de baixa frequência tende a reduzir a excitabilidade cortical, enquanto protocolos de maior frequência tendem a aumentá-la. Por isso, a alternativa A está correta: a EMT repetitiva em baixa frequência, como 1 Hz, costuma inibir a região cortical sob a bobina. É o clássico efeito “freio” da técnica, bastante cobrado em prova. Já os protocolos de theta burst e alta frequência não são, por regra, os mais associados a maior risco convulsivo em comparação com estimulação contínua de alta frequência. Na prática, a EMT é considerada um procedimento seguro, e o efeito adverso mais comum não é convulsão, mas sim desconforto local, cefaleia e dor no couro cabeludo. Convulsão é evento raro, embora mereça atenção em pacientes com fatores de risco. História de epilepsia, por exemplo, exige cuidado, mas não entra automaticamente como contraindicação absoluta em todos os cenários. No Brasil, a EMT tem uso reconhecido sobretudo para depressão maior, especialmente em casos resistentes ao tratamento medicamentoso. Algumas indicações e protocolos podem variar conforme regulamentação profissional e evidência disponível, então a banca adora misturar uma indicação real com outra que parece plausível, mas ainda não é aprovada de modo amplo. É aquela velha história de prova: a técnica é moderna, mas a pegadinha vem com verniz de verdade.