Um paciente apresenta os critérios diagnósticos do DSM-5 a seguir. I. Tem dificuldades em tomar decisões cotidianas sem uma quantidade excessiva de conselhos e reasseguramento de outros. II. Precisa que outros assumam responsabilidade pela maior parte das principais áreas de sua vida. III. Busca com urgência outro relacionamento como fonte de cuidado e amparo logo após o término de um relacionamento íntimo. IV. Tem preocupações irreais com medos de ser abandonado à própria sorte. Estas características orientam o diagnóstico de Transtorno de Personalidade
- A)Borderline.
Errada: o transtorno borderline também envolve medo de abandono, mas costuma ter impulsividade, instabilidade afetiva e relacionamentos intensos e caóticos, o que não é o foco aqui.
- B)Fóbico-social (evitativo).
Errada: o transtorno evitativo gira em torno de inibição social, sentimento de inadequação e medo de crítica, não de necessidade de que outros assumam decisões e responsabilidade.
- C)Obsessivo-compulsivo.
Errada: o transtorno obsessivo-compulsivo de personalidade é marcado por perfeccionismo, rigidez e controle, bem diferente da dependência descrita no enunciado.
- D)Histriônico.
Errada: o transtorno histriônico envolve busca de atenção, emocionalidade exagerada e sedução, mas não a submissão e o medo de ficar sem apoio que aparecem na questão.
- E)Dependente.
Certa: os critérios listados são clássicos do transtorno de personalidade dependente, com necessidade excessiva de amparo, dificuldade de autonomia e medo de abandono.
Gabarito: E
O caso descreve o Transtorno de Personalidade Dependente. Nesse quadro, a pessoa tem forte necessidade de ser cuidada, dificuldade para decidir sem muita confirmação dos outros e medo de ficar sozinha. Ou seja: ela não quer apenas companhia, ela sente que não dá conta da vida sem alguém segurando a barra por ela. Os critérios citados no enunciado batem direto com o DSM-5: dificuldade para tomar decisões sem excesso de conselhos, necessidade de que outros assumam responsabilidade por áreas importantes da vida, urgência em buscar outro vínculo quando um relacionamento acaba e preocupação intensa com abandono. Isso é praticamente o retrato clássico da dependência afetiva e comportamental. Na prática, o ponto-chave é perceber que não se trata de uma personalidade só “carente”. O transtorno exige um padrão persistente de submissão, apego e medo de separação, com prejuízo no funcionamento. O DSM-5 organiza esses critérios dentro dos transtornos de personalidade do grupo ansioso-fóbico, e a doutrina psiquiátrica descreve exatamente essa combinação de insegurança e necessidade de amparo. Então, se o enunciado traz medo de abandono, necessidade de reasseguramento e dificuldade de assumir autonomia, você já pode acender a luz amarela: a resposta está no Transtorno de Personalidade Dependente.