Segundo estudos epidemiológicos, a prevalência de alguns transtornos mentais varia de forma significativa entre países e culturas diferentes, o que pode ser justificado por desencadeantes psicossociais ou mesmo percepções culturais diferentes em relação a essas condições mentais. Das condições abaixo listadas, assinale a que apresenta menor variação de prevalência entre povos diferentes.
- A)Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.
Errada, porque o TDAH pode sofrer influência de critérios diagnósticos, contexto escolar e diferenças culturais na percepção de hiperatividade e desatenção.
- B)Esquizofrenia.
Certa, porque a esquizofrenia é o transtorno da lista com menor variação de prevalência entre culturas e países.
- C)Transtornos de Ansiedade.
Errada, porque os transtornos de ansiedade variam bastante conforme contexto social, estressores e formas culturais de expressar sofrimento.
- D)Transtorno Depressivo.
Errada, porque o transtorno depressivo tem prevalência muito sensível a fatores psicossociais, culturais e até ao modo de rastreamento.
- E)Transtorno de uso de álcool.
Errada, porque o transtorno por uso de álcool varia muito entre populações, de acordo com fatores culturais, religiosos, legais e de acesso à substância.
Gabarito: B
A questão cobra uma ideia clássica da epidemiologia em psiquiatria: nem todos os transtornos “viajam” da mesma forma entre culturas. Alguns sofrem bastante influência do contexto social, do modo como a pessoa nomeia o sofrimento e até da forma como cada sociedade entende o que é adoecer mentalmente. Por isso, ansiedade, depressão, uso de álcool e até TDAH podem mostrar variações importantes de prevalência conforme o país, o momento histórico e os critérios diagnósticos usados. Já a esquizofrenia é um dos transtornos mais estudados nesse ponto e, embora existam diferenças na forma de apresentação clínica e no curso em diferentes contextos, sua prevalência tende a ser relativamente mais estável entre povos e culturas do que a dos outros quadros listados. Em outras palavras: ela não depende tanto de modismos culturais, de rótulos sociais ou de padrões de consumo, então costuma aparecer com menor variação epidemiológica. Esse raciocínio é muito usado em psiquiatria transcultural: quanto mais o transtorno depende de comportamento aprendido, estresse social, percepção subjetiva ou padrões culturais, maior a chance de variar de um lugar para outro. Quanto mais “biológico” e menos dependente desses fatores, mais estável tende a ser a distribuição. A esquizofrenia é o exemplo clássico que as bancas adoram cobrar nesse contraste. Então, o gabarito é a letra B. Ela é a condição que apresenta menor variação de prevalência entre povos diferentes, justamente por ter distribuição epidemiológica mais consistente quando comparada aos transtornos afetivos, ansiosos, ligados ao uso de substâncias e aos quadros do neurodesenvolvimento.