Paciente, 67 anos, sexo masculino, busca atendimento na Psiquiatria por queixas de piora da memória. Refere que tem esquecido cada vez mais de compromissos, nomes de pessoas que conheceu recentemente ou mesmo de recados e informações que lhe passaram há poucas horas. Para seguir trabalhando e administrando suas finanças domésticas tem feito uso frequente de lembretes, alarmes no celular e avisos à sua esposa. Tem histórico de tabagismo e hipertensão arterial bem controlada e possui história familiar positiva para Doença de Alzheimer. Sobre o manejo deste paciente, está correto afirmar que
- A)uma vez comprovado o declínio objetivo da memória, está indicado o tratamento com anticolinesterásicos e memantina.
Errada: o simples declínio objetivo da memória não autoriza iniciar anticolinesterásicos e memantina, que são usados na demência de Alzheimer, não como regra no comprometimento cognitivo leve.
- B)por se tratar de um quadro inicial, recomenda-se iniciar o tratamento com memantina, que apresenta melhor perfil de tolerabilidade.
Errada: a memantina não é a escolha de início para quadro inicial e seu perfil de uso é mais restrito, geralmente em fases moderadas a graves de demência.
- C)o alto risco de evolução para doença de Alzheimer indica a necessidade de tratamento precoce com anticolinesterásicos.
Errada: ter maior risco de Alzheimer não significa indicação de tratamento precoce com anticolinesterásicos sem diagnóstico de demência e sem prejuízo funcional característico.
- D)mesmo se houver comprovação objetiva de declínio cognitivo amnésico, não está indicado o tratamento com anticolinesterásicos nesse momento.
Certa: mesmo com declínio cognitivo amnésico comprovado, não há indicação de anticolinesterásicos neste momento se o quadro ainda for compatível com comprometimento cognitivo leve e sem demência.
- E)o quadro descrito não é sugestivo de declínio cognitivo e não está recomendada investigação neuropsicológica, clínica ou de imagem neste momento.
Errada: o quadro é sim sugestivo de declínio cognitivo e merece investigação clínica, neuropsicológica e, conforme o caso, neuroimagem.
Gabarito: D
O caso descreve um comprometimento de memória com preservação funcional relativa: ele ainda consegue trabalhar e administrar finanças, mas precisa de lembretes e ajuda da esposa. Isso sugere um quadro compatível com comprometimento cognitivo leve, especialmente do tipo amnéstico, e não necessariamente demência instalada. Em prova, a chave costuma ser essa: há queixa e até declínio objetivo, mas sem perda importante de autonomia, então ainda não se trata automaticamente como Doença de Alzheimer.