Sobre o comportamento autolesivo e a ideação suicida é correto afirmar que
- A)a taxa de ideações suicidas durante a pandemia de COVID foi semelhante à relatada em estudos na população geral antes da pandemia.
Errada: durante a pandemia houve aumento de sofrimento mental em vários estudos, não sendo correto dizer que as ideações suicidas ficaram semelhantes ao período pré-pandemia de forma geral.
- B)a média de idade na qual o comportamento autolesivo se inicia é de 18 anos e este comportamento não está associado ao maior risco de suicídio.
Errada: a autolesão costuma começar na adolescência, e ela está associada a maior risco de suicídio, mesmo quando não há intenção suicida explícita.
- C)deve-se ter cautela ao abordar um paciente com comportamento autolesivo ou ideação suicida, pois abordar o assunto pode ser um gatilho para novas tentativas.
Errada: falar sobre ideação suicida ou autolesão não desencadeia, por si só, novas tentativas; pelo contrário, perguntar diretamente é parte da boa avaliação clínica.
- D)terapia dialética e terapia cognitivo comportamental constituem as terapias de maior evidência científica de prevenção ao suicídio e comportamento autolesivo.
Certa: terapia dialética comportamental e terapia cognitivo-comportamental têm boa evidência na redução de comportamento autolesivo e na prevenção do suicídio.
- E)mais da metade dos adolescentes ou jovens que apresentam ideação suicida solicitam ajuda a um profissional de saúde.
Errada: muitos adolescentes e jovens com ideação suicida não procuram ajuda profissional, então dizer que mais da metade solicita ajuda é incorreto.
Gabarito: D
O comportamento autolesivo e a ideação suicida pedem uma abordagem séria, mas sem medo de perguntar. Ao contrário do que muita gente imagina, falar sobre suicídio não “coloca ideia na cabeça” de ninguém; na prática, perguntar de forma direta e acolhedora ajuda a abrir espaço para o paciente relatar sofrimento e risco. Isso é especialmente importante em psiquiatria, porque ideação suicida e autolesão são temas frequentes e exigem avaliação cuidadosa, sem julgamento. No comportamento autolesivo, especialmente o não suicida, o início costuma ocorrer na adolescência, e ele não deve ser banalizado. Mesmo quando a intenção não é morrer, esse padrão se associa a maior risco futuro de tentativa de suicídio, então nunca é um comportamento “inofensivo”. Na pandemia de COVID-19, também houve preocupação com aumento de sofrimento psíquico e risco suicida, então afirmar que tudo ficou igual ao período pré-pandemia é simplificação demais. A alternativa D está correta porque a terapia dialética comportamental (DBT) e a terapia cognitivo-comportamental (TCC) estão entre as intervenções psicológicas com melhor evidência para reduzir comportamento autolesivo e prevenir suicídio, sobretudo em pessoas com repetição de automutilação, impulsividade e desregulação emocional. Em provas, lembre que DBT é uma queridinha quando o tema é autolesão e risco suicida, e a TCC também aparece forte na prevenção e manejo dos fatores de risco. Em resumo: abordar diretamente o tema não piora o quadro, autolesão merece atenção porque aumenta risco, e as terapias com melhor suporte científico são justamente as que trabalham regulação emocional, pensamentos disfuncionais e habilidades de enfrentamento.