A eletroconvulsoterapia (ECT) é um procedimento usado há muitas décadas no contexto dos transtornos mentais e consiste na indução de uma convulsão generalizada, de duração limitada, através da passagem de corrente elétrica pelo cérebro. Sobre a ECT, é correto afirmar que
- A)seu uso deve ser evitado em idosos, pelos riscos de alterações cognitivas.
Errada, porque a ECT pode ser usada em idosos com frequência e, quando bem indicada e monitorada, não deve ser evitada apenas pela idade.
- B)podem causar sérios danos ao feto e, portanto, deve ser evitada no período gestacional, ao menos que os benefícios do tratamento superem em muito os riscos.
Errada, porque a gestação não é contraindicação absoluta para ECT; ela pode ser considerada quando os benefícios superam os riscos, especialmente em situações graves.
- C)o mecanismo de ação da ECT hoje é bem conhecido e baseia-se na liberação simultânea de serotonina e noradrenalina no cérebro.
Errada, porque o mecanismo de ação da ECT ainda não é totalmente esclarecido e não se resume à liberação simultânea de serotonina e noradrenalina.
- D)a necessidade de rápida resposta ao tratamento e o histórico de intolerância ou resistência prévia ao tratamento medicamentoso estão entre as principais indicações da ECT.
Certa, porque a ECT é indicada especialmente quando é necessária resposta rápida ou quando houve intolerância, falha ou resistência a tratamentos medicamentosos.
- E)o número de sessões de ECT é fixo e pré-determinado para cada indicação de tratamento.
Errada, porque o número de sessões não é fixo nem pré-determinado para todos os casos, sendo ajustado conforme a evolução clínica.
Gabarito: D
A eletroconvulsoterapia (ECT) é um tratamento antigo, mas ainda muito útil na psiquiatria moderna. Apesar do nome assustar um pouco, ela é feita com anestesia e relaxante muscular, justamente para reduzir desconforto e complicações físicas. Em vez da imagem cinematográfica de “choque bruto”, o procedimento atual é técnico, controlado e bem monitorado. A grande sacada da ECT é que ela continua sendo indicada em situações em que o tempo importa muito ou quando remédios não funcionaram bem. Isso acontece, por exemplo, em quadros graves de depressão com risco de suicídio, catatonia e episódios em que é preciso resposta rápida. Também pode ser usada quando houve intolerância ou resistência prévia aos tratamentos medicamentosos, o que torna o caso mais difícil de manejar só com remédio. Por isso, a alternativa D está correta: a necessidade de rápida resposta ao tratamento e o histórico de intolerância ou resistência ao tratamento medicamentoso são indicações clássicas da ECT. A prova gosta de cobrar esse ponto porque a ECT não é “último recurso por definição”, mas sim uma estratégia valiosa quando o cenário clínico exige rapidez ou quando as opções farmacológicas falham. As demais alternativas exageram riscos, simplificam demais o mecanismo de ação ou tratam a ECT como se tivesse duração fixa, o que não acontece. O número de sessões é individualizado, de acordo com a resposta clínica e a tolerabilidade do paciente, então nada de receita pronta.