A lamotrigina é um fármaco anticonvulsivante que se mostrou eficaz no tratamento do Transtorno Bipolar. Sobre o manejo desta droga, é correto afirmar que
- A)tem maior eficácia no tratamento da mania ou hipomania bipolar do que na depressão bipolar.
Errada: a lamotrigina é mais útil na depressão bipolar e na manutenção do que no controle da mania ou hipomania.
- B)em geral é bem tolerada, a não ser pelo raro risco de síndrome de Stevens-Johnson, que pode ser mitigado pelo aumento lento e progressivo da dose.
Certa: em geral é bem tolerada, mas exige titulação lenta para reduzir o risco de síndrome de Stevens-Johnson.
- C)seu efeito antidepressivo se dá pela ação excitatória glutamatérgica.
Errada: a lamotrigina não age por efeito excitatório glutamatérgico; seu perfil é de modulação, não de estimulação glutamatérgica.
- D)possui perfil de interação medicamentosa semelhante à carbamazepina, sendo necessária cautela na administração com antipsicóticos.
Errada: ela não tem perfil de interação medicamentosa semelhante ao da carbamazepina, que é um forte indutor enzimático.
- E)apresenta mecanismo de ação semelhante ao lítio como estabilizador do humor.
Errada: o mecanismo da lamotrigina não é semelhante ao do lítio, que atua por vias diferentes na estabilização do humor.
Gabarito: B
A lamotrigina é um estabilizador do humor muito lembrado no transtorno bipolar porque ajuda mais na prevenção e no tratamento da depressão bipolar do que na mania. Na prática, ela costuma entrar como opção útil quando o quadro tem predominância depressiva, com boa tolerabilidade em geral. O grande ponto de atenção é o risco raro, porém sério, de rash cutâneo grave, especialmente a síndrome de Stevens-Johnson. Por isso, a regra de ouro com lamotrigina é subir a dose devagar, com titulação lenta e progressiva. Quando o aumento é apressado, o risco de reação cutânea sobe bastante. A alternativa B está correta exatamente por isso: a droga costuma ser bem tolerada e o risco de Stevens-Johnson pode ser reduzido com escalonamento cuidadoso da dose. Isso é uma cobrança clássica de psicofarmacologia em prova, porque mistura eficácia clínica com segurança do medicamento. Já as demais alternativas tentam confundir você com mecanismos ou perfis de fármacos mais típicos de outros anticonvulsivantes e estabilizadores, como carbamazepina e lítio. A lamotrigina não é a estrela da mania e nem funciona pelo mesmo caminho do lítio.