A depressão é um transtorno prevalente na população mundial que causa grande impacto na saúde física e mental, bem como na qualidade de vida dos pacientes que dela padecem. A Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstrou que a depressão é uma das principais causas de anos vividos com incapacidade, além de se tratar de importante causa de absenteísmo e presenteísmo no trabalho. Sobre os transtornos depressivos, é correto afirmar que
- A)entre os critérios diagnósticos de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-V), o paciente necessita apresentar ao menos três critérios de igual importância entre: humor deprimido, perda da energia, baixa autoestima, dificuldade de concentração, alterações do apetite e insônia.
Errada, porque o DSM-5 não exige apenas três sintomas nem trata todos como de igual peso, e o núcleo do diagnóstico de depressão maior é mais amplo e rigoroso.
- B)reatividade aumentada do humor a eventos positivos, aumento do apetite, hipersonia e paralisia plúmbea são algumas das características que determinam a depressão atípica.
Certa, porque reatividade do humor, hiperfagia, hipersonia e paralisia plúmbea são características clássicas da depressão atípica.
- C)para o diagnóstico de transtorno depressivo persistente, ou distimia, o paciente adulto precisa apresentar sintomas de forma ininterrupta por pelo menos um ano.
Errada, porque no transtorno depressivo persistente o adulto deve ter sintomas por pelo menos 2 anos, e não por 1 ano.
- D)sintomas psicóticos, ausência de humor deprimido e predomínio de ansiedade são características que não apoiam o diagnóstico de depressão.
Errada, porque sintomas psicóticos podem ocorrer em depressão grave e a presença de ansiedade não exclui o diagnóstico depressivo.
- E)idade de início do quadro, história de depressão pós-parto, história familiar e sintomas psicóticos são características semelhantes entre a depressão uni e bipolar e, dessa forma, não contribuem para diferenciar estas duas etiologias.
Errada, porque idade de início precoce, depressão pós-parto, história familiar e sintomas psicóticos podem, sim, ajudar a diferenciar depressão bipolar de unipolar.
Gabarito: B
Nos transtornos depressivos, o detalhe que mais derruba candidato é confundir os critérios de cada subtipo. Na depressão maior, por exemplo, não basta “ter alguns sintomas parecidos”: o DSM-5 exige ao menos 5 sintomas, por pelo menos 2 semanas, com humor deprimido ou perda de interesse/ prazer como núcleo do quadro. Já a depressão atípica não significa algo “leve” ou “estranho”; ela é um especificador clínico bem conhecido. O que mais chama atenção é a reatividade do humor, isto é, a pessoa pode reagir melhor a eventos positivos, junto com aumento de apetite, hipersonia, sensação de peso nos membros ou paralisia plúmbea e grande sensibilidade à rejeição. Por isso, a alternativa B está correta. A distimia, hoje chamada de transtorno depressivo persistente, tem outra lógica: o problema é a cronicidade. Em adultos, os sintomas precisam durar pelo menos 2 anos de forma contínua, não 1 ano. E, na prática, a banca adora trocar esse tempo para ver se você está atento. Outro ponto útil: sintomas psicóticos podem aparecer em depressão grave, então não afastam o diagnóstico; ansiedade também pode coexistir, e a ausência de humor deprimido não elimina depressão, especialmente em quadros em que predominam irritabilidade, anedonia e sintomas somáticos. Quando a questão compara depressão unipolar e bipolar, história familiar, início precoce e depressão pós-parto ajudam, sim, a suspeitar de bipolaridade.