Paciente de 32 anos chega à emergência psiquiátrica dizendo que os seus vizinhos pertencem a uma organização criminosa ligada à Rússia e que estariam todos no prédio vigiando tudo o que ele faz para informar aos seus superiores, planejando levá-lo como prisioneiro para Moscou. Supondo que tal relato se trata de um sintoma psicopatológico, é correto afirmar que ele consiste em uma:
- A)alteração da forma do pensamento;
Errada, porque alteração da forma do pensamento diz respeito à organização e ao encadeamento das ideias, não ao tema falso acreditado pelo paciente.
- B)alteração da sensopercepção;
Errada, porque alteração da sensopercepção envolve alucinações e outras distorções perceptivas, e não uma crença delirante.
- C)alteração da consciência do eu;
Errada, porque alteração da consciência do eu aparece em fenômenos de passividade, roubo ou inserção do pensamento, o que não é o caso.
- D)alteração do conteúdo do pensamento;
Certa, porque o quadro descreve um delírio persecutório, que é uma alteração do conteúdo do pensamento.
- E)percepção delirante primária.
Errada, porque percepção delirante primária é a atribuição delirante de significado a uma percepção real, e o enunciado descreve uma crença persecutória, não uma percepção.
Gabarito: D
Aqui o ponto-chave é separar o que é "forma" do pensamento, "conteúdo" do pensamento, percepção e consciência do eu. Quando a pessoa acredita que os vizinhos fazem parte de uma organização criminosa, que a vigiam e que querem levá-lo preso para Moscou, ela está apresentando uma ideia delirante, isto é, uma alteração do conteúdo do pensamento. O pensamento continua existindo de forma organizada na estrutura, mas o assunto, a crença e a interpretação da realidade estão patológicos. Isso não é alteração da sensopercepção, porque não houve relato de alucinação ou de uma percepção sem objeto. Também não é alteração da forma do pensamento, que seria mais algo como fuga de ideias, prolixidade, descarrilamento ou bloqueio, ou seja, problema na construção do raciocínio. Aqui o raciocínio até pode ser coerente na narrativa, mas a crença é falsa, fixa e sem base na realidade. Também não é alteração da consciência do eu, que envolveria fenômenos como inserção, roubo ou difusão do pensamento, sensação de influência externa sobre os próprios atos, ou despersonalização. O núcleo da questão é mesmo o delírio persecutório, um clássico em psiquiatria e muito cobrado em prova. Em termos doutrinários, o delírio é classificado como alteração do conteúdo do pensamento, especialmente quando envolve temas de perseguição, conspiração, grandeza ou referência. Portanto, o gabarito é a letra D.