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Psiquiatria · FGV · 2022

Questão comentada de Psiquiatria

Um efeito colateral temido e de difícil manejo no tratamento com antipsicóticos é a discinesia tardia. Sobre esse efeito adverso, é correto afirmar que

Gabarito: A

A discinesia tardia é um efeito adverso motor associado ao uso prolongado de antipsicóticos, sobretudo os típicos, e costuma aparecer após meses ou anos de bloqueio dopaminérgico. Ela se manifesta com movimentos involuntários, principalmente orofaciais, como protrusão da língua, caretas e mastigação, e pode persistir mesmo depois da suspensão do remédio. Por isso, é uma complicação temida: quando surge, nem sempre some de forma rápida ou completa. O mecanismo mais cobrado é a hipersensibilidade compensatória dos receptores dopaminérgicos, especialmente no estriado, após bloqueio crônico da via nigroestriatal. Não é um problema da via mesocortical, e sim da via motora extrapiramidal. Em linguagem de prova: o cérebro tenta se adaptar ao bloqueio contínuo e, nesse vaivém, os movimentos involuntários aparecem como efeito tardio. A alternativa A está correta porque sintomas extrapiramidais precoces, como parkinsonismo, distonia e acatisia, indicam maior sensibilidade do paciente ao bloqueio dopaminérgico. Isso se associa a maior risco de discinesia tardia, em torno de duas vezes maior, o que é uma relação clássica em psicofarmacologia. Em outras palavras, se o paciente já começou a reclamar cedo do remédio, a vigilância deve ser ainda maior. Vale lembrar que a discinesia tardia não é, em regra, totalmente reversível apenas com a retirada do antipsicótico. A conduta envolve prevenção, uso da menor dose eficaz, reavaliação do esquema e, em alguns casos, medicações específicas como inibidores de VMAT2. FGV adora confundir efeito extrapiramidal precoce com discinesia tardia e trocar via dopaminérgica como se fosse peça de encaixe errada.

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