Ao avaliarmos um paciente que apresentou tentativa de suicídio ou comportamento autolesivo na emergência, é fundamental verificar quais os fatores de risco que este indivíduo apresenta de uma nova tentativa de suicídio. A verificação destes fatores poderá determinar o curso do tratamento do paciente e a necessidade de internação em unidade especializada para vigilância. Entre os fatores de alto risco para uma nova tentativa de suicídio está
- A)o ato impulsivo sem planejamento.
Errada: um ato impulsivo pode ocorrer, mas impulsividade isolada não é o fator de alto risco mais característico para nova tentativa, especialmente sem outros elementos associados.
- B)a presença de rede de apoio.
Errada: rede de apoio é fator protetor, pois ajuda na supervisão, no suporte emocional e na busca de tratamento.
- C)a declaração de intenção futura de nova tentativa de suicídio.
Certa: declarar intenção futura de nova tentativa indica risco elevado de repetição e necessidade de vigilância intensiva.
- D)a ausência de doença atual ou histórico de doença psiquiátrica.
Errada: a ausência de transtorno psiquiátrico conhecido não exclui risco, mas não é fator de alto risco; ao contrário, doença mental é um importante fator de risco.
- E)o estado civil casado.
Errada: ser casado tende a funcionar como fator de proteção social, e não como marcador de alto risco.
Gabarito: C
Depois de uma tentativa de suicídio ou de um ato autolesivo, a pergunta-chave na emergência não é apenas “o que aconteceu?”, mas “qual é a chance de isso se repetir?”. Em psiquiatria, alguns achados aumentam bastante o risco de nova tentativa: ideação suicida atual, plano, acesso a meios letais, intoxicação, transtorno mental ativo, tentativa prévia e, especialmente, verbalização de intenção de voltar a se matar. É por isso que a declaração de intenção futura de nova tentativa é um marcador de alto risco. Quando o paciente diz que pretende tentar novamente, isso não é só um desabafo: é um sinal clínico forte de persistência da ideação suicida e de perigo iminente, o que costuma justificar vigilância mais estreita e, muitas vezes, internação para proteção. A lógica é simples: quanto mais concreta, persistente e organizada estiver a intenção suicida, maior o risco. Por isso, o manejo na emergência deve combinar avaliação psiquiátrica, checagem de fatores de proteção, suporte familiar e definição de necessidade de contenção e observação. A avaliação de risco suicida é parte central da conduta, não um detalhe burocrático. Então, o gabarito está correto porque a fala do paciente sobre uma futura tentativa aponta para risco elevado de repetição e necessidade de atenção imediata. As demais alternativas descrevem situações que não aumentam o risco, ou até funcionam como proteção.