Paciente apresenta um padrão de comportamento caracterizado por baixa tolerância a ficar sozinha, buscando freneticamente relações de amizade ou amorosas que lhe permitam amenizar o imenso sentimento persistente de vazio ou solidão que a acompanha. Refere ainda a falta de um senso consistente da própria identidade e apresenta frequentemente dias de muita tristeza e desânimo, além de ser também tomada por uma enxurrada de outros afetos, como a raiva. O diagnóstico mais provável dessa paciente é o transtorno da personalidade:
- A)anancástica;
Errada: o transtorno anancástico é caracterizado por perfeccionismo, rigidez, ordem excessiva e controle, não por vazio afetivo e relações instáveis.
- B)histriônica;
Errada: o transtorno histriônico envolve busca de atenção, sedução e teatralidade, mas não explica tão bem o vazio crônico e a instabilidade da identidade.
- C)borderline;
Certa: o quadro é típico de transtorno de personalidade borderline, com medo de ficar só, vazio persistente, identidade instável e forte labilidade afetiva.
- D)dependente;
Errada: o transtorno dependente gira em torno de submissão, necessidade de cuidado e dificuldade de decidir sozinho, sem a marcante desregulação afetiva descrita.
- E)narcisista.
Errada: o transtorno narcisista se relaciona mais a grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia do que a vazio crônico e medo de abandono.
Gabarito: C
O quadro descrito aponta para um transtorno de personalidade marcado por instabilidade emocional, medo de abandono, vazio crônico e relações intensas e instáveis. Esse conjunto de sinais é muito típico do transtorno de personalidade borderline, que costuma vir acompanhado de impulsividade, alterações bruscas de humor e dificuldade de manter uma identidade estável. Na prática, a pessoa borderline pode “se agarrar” a vínculos para não lidar com a solidão, mas esses vínculos tendem a ser caóticos, intensos e cheios de idealização e frustração. O sentimento de vazio persistente é uma pista importante, assim como a sensação de não saber bem quem é. É aquele quadro em que o afeto troca de roupa várias vezes no mesmo dia. Os dias de muita tristeza, desânimo e raiva também combinam com a desregulação afetiva do borderline. Diferente do transtorno bipolar, aqui o problema central não é a ocorrência de episódios claros de mania ou hipomania, e sim um padrão persistente de instabilidade de personalidade e relacionamentos. Por isso, o gabarito é a letra C. A descrição bate com os critérios clássicos do transtorno de personalidade borderline, tal como apresentado no DSM-5-TR e na CID, com destaque para medo de abandono, vazio crônico, identidade instável e afetos intensos e instáveis.