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Psiquiatria · FGV · 2022

Questão comentada de Psiquiatria

Paciente com episódios depressivos recorrentes se recusa a fazer uso de antidepressivos porque tal uso já lhe causou importantes efeitos colaterais sexuais. As duas drogas com as quais o paciente teria maior probabilidade de adesão ao tratamento, devido à ausência de efeitos colaterais sexuais, são:

Gabarito: C

Em psicofarmacologia, uma das grandes causas de abandono do tratamento antidepressivo são os efeitos colaterais sexuais: queda de libido, dificuldade de ereção, anorgasmia e afins. Isso é muito comum com fármacos que aumentam serotonina, como ISRSs e vários IRSNs, porque a serotonina tende a atrapalhar a resposta sexual em parte dos pacientes. Quando a banca fala em drogas com menor chance de disfunção sexual, vale lembrar de dois nomes clássicos: bupropiona e mirtazapina. A bupropiona atua principalmente em noradrenalina e dopamina, com perfil bem mais amigável para a função sexual. A mirtazapina, por sua vez, também costuma ter baixa taxa de disfunção sexual, sendo uma opção frequente quando esse efeito adverso pesa na adesão. Por isso, o gabarito é a letra C. Entre as alternativas, ela reúne justamente os dois antidepressivos mais lembrados por não piorarem tanto a vida sexual do paciente. Em prova, essa é uma associação muito cobrada: se o enunciado destacar que o paciente abandonou antidepressivos por disfunção sexual, pense primeiro em bupropiona e mirtazapina. As demais opções trazem drogas com perfil serotoninérgico mais associado a esse problema, então a ideia de "zero efeitos sexuais" fica comprometida. A banca gosta desse contraste: pega um efeito adverso clássico e pede a alternativa que foge da serotonina como protagonista.

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