Paciente com episódios depressivos recorrentes se recusa a fazer uso de antidepressivos porque tal uso já lhe causou importantes efeitos colaterais sexuais. As duas drogas com as quais o paciente teria maior probabilidade de adesão ao tratamento, devido à ausência de efeitos colaterais sexuais, são:
- A)venlafaxina e mirtazapina;
Errada: venlafaxina é um IRSN com disfunção sexual relativamente frequente, embora a mirtazapina tenha baixo risco.
- B)bupropiona e fluvoxamina;
Errada: a bupropiona é boa para esse cenário, mas a fluvoxamina é um ISRS e costuma causar disfunção sexual.
- C)bupropiona e mirtazapina;
Certa: bupropiona e mirtazapina estão entre os antidepressivos com menor associação a efeitos colaterais sexuais.
- D)vortioxetina e fluvoxamina;
Errada: vortioxetina pode ter menor impacto sexual que alguns ISRSs, mas a fluvoxamina tem perfil serotoninérgico e não é opção de baixa disfunção sexual.
- E)nefazodona e duloxetina.
Errada: a nefazodona pode ter baixo impacto sexual, mas a duloxetina é um IRSN e pode causar disfunção sexual.
Gabarito: C
Em psicofarmacologia, uma das grandes causas de abandono do tratamento antidepressivo são os efeitos colaterais sexuais: queda de libido, dificuldade de ereção, anorgasmia e afins. Isso é muito comum com fármacos que aumentam serotonina, como ISRSs e vários IRSNs, porque a serotonina tende a atrapalhar a resposta sexual em parte dos pacientes. Quando a banca fala em drogas com menor chance de disfunção sexual, vale lembrar de dois nomes clássicos: bupropiona e mirtazapina. A bupropiona atua principalmente em noradrenalina e dopamina, com perfil bem mais amigável para a função sexual. A mirtazapina, por sua vez, também costuma ter baixa taxa de disfunção sexual, sendo uma opção frequente quando esse efeito adverso pesa na adesão. Por isso, o gabarito é a letra C. Entre as alternativas, ela reúne justamente os dois antidepressivos mais lembrados por não piorarem tanto a vida sexual do paciente. Em prova, essa é uma associação muito cobrada: se o enunciado destacar que o paciente abandonou antidepressivos por disfunção sexual, pense primeiro em bupropiona e mirtazapina. As demais opções trazem drogas com perfil serotoninérgico mais associado a esse problema, então a ideia de "zero efeitos sexuais" fica comprometida. A banca gosta desse contraste: pega um efeito adverso clássico e pede a alternativa que foge da serotonina como protagonista.