Com o avanço dos recursos de redes digitais e computadorizados, torna-se cada vez mais “fácil” o acesso aos jogos e, portanto, o risco de comportamentos de Jogo Patológico. Apesar do estudo e da definição de técnicas terapêuticas ser ainda incipiente, o tratamento que tem se mostrado mais promissor para estes pacientes é
- A)benzodiazepínicos em altas doses.
Errada, porque benzodiazepínicos não tratam jogo patológico e ainda podem aumentar desinibição e risco de dependência.
- B)haloperidol em doses baixas.
Errada, porque haloperidol não é tratamento consagrado para esse transtorno e não é considerado a opção mais promissora.
- C)naltrexona em doses altas.
Certa, porque a naltrexona, antagonista opioide, é uma das medicações com melhor evidência para reduzir fissura e comportamento de jogo.
- D)carbonato de lítio em doses terapêuticas.
Errada, porque o carbonato de lítio pode ajudar em comorbidades do humor, mas não é a terapia farmacológica mais promissora para jogo patológico.
- E)estimulação magnética transcraniana.
Errada, porque estimulação magnética transcraniana ainda não é tratamento estabelecido para jogo patológico e permanece experimental.
Gabarito: C
O jogo patológico, hoje chamado em muitas referências de transtorno do jogo, é um transtorno do controle dos impulsos com forte semelhança clínica com as dependências químicas: desejo intenso, perda de controle, tolerância subjetiva e prejuízos importantes na vida pessoal, social e financeira. Por isso, faz sentido que alguns tratamentos usados em adições tenham sido testados aqui também. Entre as opções, a que mais aparece como promissora é a naltrexona, um antagonista opioide. A ideia é simples: ela reduz a sensação de recompensa e o reforço ligado ao ato de jogar, diminuindo a fissura e a urgência de apostar. Em estudos clínicos e revisões, a naltrexona e, em alguns casos, o nalmefeno, têm mostrado benefício mais consistente do que outras medicações para esse quadro. As demais alternativas não são tratamento padrão para jogo patológico: benzodiazepínicos podem até piorar descontrole e dependência; haloperidol não tem papel estabelecido; lítio pode ser útil em comorbidade bipolar, mas não é o tratamento mais promissor do jogo em si; e estimulação magnética transcraniana ainda é experimental nesse contexto. Em prova, a lógica é lembrar que o transtorno do jogo é tratado com psicoterapia, sobretudo terapia cognitivo-comportamental, e, quando se fala em farmacoterapia com melhor sinal de resposta, a naltrexona costuma ser a resposta mais cobrada.