Para Jaspers, considerado o principal fundador da psicopatologia, existem dois métodos que o psiquiatra deve utilizar para abordar os fenômenos psicopatológicos. Com um deles, abordamos a realidade clínica da mesma forma que os físicos estudam a matéria e, assim, calculamos o tamanho dos ventrículos cerebrais ou medimos a concentração de neurotransmissores na urina, por exemplo. Com o outro método, ao contrário, temos acesso a fenômenos mais subjetivos, que resistem a tentativas de quantificação, como sentimentos, emoções e o significado que as experiências têm para os sujeitos. Esses dois métodos de abordagem psicopatológica propostos por Jaspers são, respectivamente:
- A)investigação psiquiátrica e investigação psicológica;
Errada: Jaspers não nomeia seus dois métodos como investigação psiquiátrica e investigação psicológica.
- B)objetividade e subjetividade;
Errada: objetividade e subjetividade descrevem características das abordagens, mas não são os nomes dos dois métodos propostos por Jaspers.
- C)objetividade e intersubjetividade;
Errada: intersubjetividade pode ajudar na clínica, mas não corresponde à dupla conceitual clássica de Jaspers.
- D)explicação e compreensão;
Certa: os dois métodos são explicação, voltada às causas e medidas objetivas, e compreensão, voltada ao sentido subjetivo da vivência.
- E)correlação causal e associação livre.
Errada: correlação causal pode lembrar a explicação, mas associação livre é técnica psicanalítica, não um dos métodos de Jaspers.
Gabarito: D
Karl Jaspers é uma referência central da psicopatologia porque ajudou a organizar a forma de estudar os fenômenos psíquicos sem confundir tudo em um mesmo pacote. Para ele, o psiquiatra precisa usar dois caminhos diferentes: um voltado para a explicação causal dos fatos, e outro voltado para a compreensão do sentido vivido pelo paciente. Na explicação, você olha o fenômeno como um objeto de estudo, quase como um cientista olhando a matéria. É o tipo de abordagem que busca causas, relações biológicas, medidas e regularidades, como volume de ventrículos, neurotransmissores, genética e outros dados mais objetivos. Já na compreensão, você tenta captar o mundo interno da pessoa: sentimentos, emoções, intenções, significados e a lógica subjetiva da experiência. Aqui, não basta medir; é preciso entender o que aquilo representa para o sujeito. É por isso que essa parte lida com o que resiste à quantificação pura. Por isso, o gabarito é a letra D: explicação e compreensão. Em Jaspers, esse par é clássico na psicopatologia e aparece justamente para diferenciar o estudo causal-objetivo da apreensão do sentido subjetivo da vivência.