Nas classificações mais modernas em Psiquiatria, o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS) é feito quando o paciente apresenta
- A)comportamento delinquente repetitivo.
Errada: comportamento delinquente repetitivo pode aparecer no TPAS, mas não define sozinho o diagnóstico.
- B)abuso de substâncias ou indução deste comportamento em terceiros.
Errada: abuso de substâncias pode coexistir com TPAS, mas não é critério diagnóstico nem causa obrigatória.
- C)deficiência cognitiva.
Errada: deficiência cognitiva aponta mais para transtorno do desenvolvimento intelectual, não para TPAS.
- D)alteração neuroanatômica comprovada.
Errada: não se exige alteração neuroanatômica comprovada para diagnosticar TPAS; o diagnóstico é clínico.
- E)desadaptação social e dificuldade em aprender com a experiência.
Certa: o TPAS se caracteriza por desadaptação social, repetição de condutas e pouca aprendizagem com as consequências.
Gabarito: E
O Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS) é aquele quadro em que a pessoa repete, de forma persistente, um padrão de desrespeito pelas regras, pelos direitos dos outros e pelas consequências dos próprios atos. Nas classificações modernas, não basta dizer que alguém "vive aprontando" ou que teve um episódio isolado: o padrão precisa ser duradouro, começando cedo na vida e com prejuízo social importante. Na prática, o núcleo do TPAS é a desadaptação social. O paciente tende a agir com impulsividade, irresponsabilidade, mentira, agressividade e pouca ou nenhuma culpa depois. Um jeito simples de lembrar é: a experiência ensina pouco. A pessoa erra, paga o preço e muitas vezes repete, como se a lição nunca tivesse sido instalada. Por isso, o gabarito é a letra E. "Desadaptação social e dificuldade em aprender com a experiência" resume bem o traço central do transtorno nas classificações atuais, especialmente o padrão de violação de normas e de repetição de condutas apesar das consequências negativas. No DSM-5, o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Antissocial exige padrão persistente de desrespeito e violação dos direitos alheios, com início precoce, e na CID-10 o quadro é descrito como personalidade dissocial. Já as outras alternativas tentam confundir com delinquência comum, uso de substâncias ou até causas orgânicas. Só que TPAS não é sinônimo de criminalidade, nem depende de deficiência cognitiva ou de lesão cerebral comprovada. O diagnóstico é clínico e comportamental, não um carimbo de exame de imagem.