Paciente de 42 anos apresenta um quadro clínico caracterizado por tristeza profunda. Não tem vontade de sair do quarto nem tomar banho, quase não se alimenta devido a falta de apetite, acredita que tem pouco tempo de vida pela frente, apesar de seus exames clínicos estarem normais, e escuta vozes que dizem que ele não serve para nada e deve se matar. Dentre as alternativas terapêuticas abaixo, a mais indicada é:
- A)imipramina 150mg + haloperidol 10mg;
Correta: associa antidepressivo tricíclico e antipsicótico, esquema adequado para depressão com sintomas psicóticos.
- B)fluvoxamina 50mg;
Errada: fluvoxamina é um ISRS e não resolve, sozinha, um quadro depressivo grave com alucinações e delírios.
- C)risperidona 2mg;
Errada: risperidona é antipsicótico, mas isoladamente não trata o núcleo depressivo do caso.
- D)nefazodona 50mg;
Errada: nefazodona é antidepressivo, porém sem antipsicótico associado fica insuficiente para depressão psicótica.
- E)fluoxetina 20mg.
Errada: fluoxetina é ISRS e pode ser útil em depressão, mas não é a melhor escolha quando há sintomas psicóticos e alto risco suicida.
Gabarito: A
O quadro descrito é de depressão grave com sintomas psicóticos: tristeza intensa, rebaixamento importante do funcionamento, anorexia, delírio de culpa/ruína ou de desesperança e alucinações auditivas de conteúdo depreciativo e suicida. Isso não é uma depressão leve para tratar com um antidepressivo qualquer e esperar sentado. Aqui o perigo é real e imediato, porque há risco de suicídio e de piora do juízo crítico. Nesses casos, o tratamento costuma exigir a associação de antidepressivo com antipsicótico, ou mesmo eletroconvulsoterapia em quadros muito graves, refratários ou com risco alto. A lógica é simples: o antidepressivo trata o núcleo depressivo, e o antipsicótico ajuda a controlar as ideias delirantes e as alucinações. Em prova, quando aparece depressão psicótica, pense logo em combinação terapêutica, não em monoterapia. A alternativa A traz imipramina, um antidepressivo tricíclico, associada ao haloperidol, um antipsicótico típico. Essa dupla cobre os dois eixos do quadro apresentado e é a opção mais compatível com depressão psicótica grave. Em linguagem de prova: sintomas depressivos + psicóticos = antidepressivo + antipsicótico. As demais opções falham por usar apenas um antidepressivo, apenas um antipsicótico em dose isolada, ou fármacos menos apropriados para um quadro tão grave. Portanto, o gabarito A é o mais indicado. Em psiquiatria, quando a clínica vem com alucinação mandando a pessoa se matar, o tratamento precisa ser mais robusto do que um remédio só.