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Psiquiatria · FGV · 2022

Questão comentada de Psiquiatria

Paciente de 42 anos apresenta um quadro clínico caracterizado por tristeza profunda. Não tem vontade de sair do quarto nem tomar banho, quase não se alimenta devido a falta de apetite, acredita que tem pouco tempo de vida pela frente, apesar de seus exames clínicos estarem normais, e escuta vozes que dizem que ele não serve para nada e deve se matar. Dentre as alternativas terapêuticas abaixo, a mais indicada é:

Gabarito: A

O quadro descrito é de depressão grave com sintomas psicóticos: tristeza intensa, rebaixamento importante do funcionamento, anorexia, delírio de culpa/ruína ou de desesperança e alucinações auditivas de conteúdo depreciativo e suicida. Isso não é uma depressão leve para tratar com um antidepressivo qualquer e esperar sentado. Aqui o perigo é real e imediato, porque há risco de suicídio e de piora do juízo crítico. Nesses casos, o tratamento costuma exigir a associação de antidepressivo com antipsicótico, ou mesmo eletroconvulsoterapia em quadros muito graves, refratários ou com risco alto. A lógica é simples: o antidepressivo trata o núcleo depressivo, e o antipsicótico ajuda a controlar as ideias delirantes e as alucinações. Em prova, quando aparece depressão psicótica, pense logo em combinação terapêutica, não em monoterapia. A alternativa A traz imipramina, um antidepressivo tricíclico, associada ao haloperidol, um antipsicótico típico. Essa dupla cobre os dois eixos do quadro apresentado e é a opção mais compatível com depressão psicótica grave. Em linguagem de prova: sintomas depressivos + psicóticos = antidepressivo + antipsicótico. As demais opções falham por usar apenas um antidepressivo, apenas um antipsicótico em dose isolada, ou fármacos menos apropriados para um quadro tão grave. Portanto, o gabarito A é o mais indicado. Em psiquiatria, quando a clínica vem com alucinação mandando a pessoa se matar, o tratamento precisa ser mais robusto do que um remédio só.

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