Segundo as diretrizes de tratamento de um episódio depressivo na vigência do Transtorno Bipolar pode-se afirmar que
- A)a quetiapina é considerada droga de primeira linha tanto no tratamento da fase aguda quanto na manutenção.
Certa: a quetiapina tem boa evidência tanto para o tratamento agudo da depressão bipolar quanto para manutenção.
- B)a carbamazepina é uma das drogas de escolha na fase aguda.
Errada: a carbamazepina não é droga de escolha para episódio depressivo bipolar agudo.
- C)o lítio é considerado primeira linha de tratamento de manutenção, porém não de fase aguda.
Errada: o lítio é muito usado na manutenção e prevenção de recaídas, mas também pode ser usado em fases agudas em alguns contextos, então a afirmação ficou absoluta demais.
- D)a eletroconvulsoterapia apresenta evidência de eficácia somente na mania e não no tratamento da depressão.
Errada: a eletroconvulsoterapia também tem eficácia no tratamento da depressão bipolar, não apenas na mania.
- E)a lurasidona tem melhor evidência no tratamento da mania / hipomania do que no tratamento da depressão.
Errada: a lurasidona tem melhor evidência para depressão bipolar do que para mania/hipomania.
Gabarito: A
No transtorno bipolar, tratar depressão não é simplesmente "dar antidepressivo e torcer". O risco de virar o humor para mania/hipomania, além de piorar ciclagem, faz com que o tratamento siga diretrizes bem específicas, com uso de estabilizadores do humor e alguns antipsicóticos atípicos com evidência para fase depressiva. Na depressão bipolar, a quetiapina aparece entre as opções mais fortes porque tem eficácia tanto no episódio agudo quanto na prevenção de novos episódios, ou seja, ajuda na crise e também na manutenção. Isso é exatamente o que a banca quis cobrar: ela tem lugar consolidado nas diretrizes para os dois momentos do tratamento. Já o lítio é muito importante na manutenção e na prevenção de recaídas, mas não costuma ser a estrela isolada da fase aguda depressiva. A carbamazepina, por sua vez, não é droga de escolha para depressão bipolar aguda. E a eletroconvulsoterapia não é "só para mania": ela também pode ser muito eficaz na depressão bipolar grave, especialmente quando há risco suicida, catatonia ou necessidade de resposta rápida. A lurasidona, por fim, tem melhor evidência para depressão bipolar do que para mania/hipomania. Então, quando a questão inverte isso, ela está justamente tentando pegar quem confunde o perfil de cada fármaco. Resumo de prova: para depressão bipolar, pense em quetiapina, lurasidona, lítio e outros estabilizadores conforme o caso, sempre com atenção ao risco de virada maníaca.