No discurso espontâneo de uma paciente foi possível observar a seguinte alteração psicopatológica: havia superinclusão de detalhes irrelevantes, que até eram pertinentes ao tema, mas levavam ao desvio da linha do pensamento, e assim, ela não chegava ao objetivo das perguntas formuladas pelo entrevistador. Muitas vezes, era necessária até a intervenção do mesmo, para redirecioná-la para o objetivo. A alteração psicopatológica descrita é denominada de
- A)circunstancialidade.
Certa: circunstancialidade é o pensamento com muitos detalhes acessórias, mas ainda ligado ao tema principal.
- B)descarrilamento.
Errada: descarrilamento é a perda da linha de associação, com saltos entre ideias sem conexão adequada.
- C)perseveração.
Errada: perseveração é a repetição insistente da mesma resposta, ideia ou tema, sem necessidade.
- D)neologismo.
Errada: neologismo é a criação de palavras novas, sem sentido usual reconhecido.
- E)bloqueio.
Errada: bloqueio é a interrupção súbita do pensamento, como se a ideia fosse cortada no meio.
Gabarito: A
A questão descreve um pensamento que até anda na direção certa, mas vai se enchendo de detalhes secundários e acaba demorando demais para chegar ao ponto. Em psicopatologia, isso é a tal da circunstancialidade: a pessoa não perde completamente o objetivo, só faz um caminho cheio de voltas, com excesso de informações irrelevantes, embora ainda relacionadas ao tema. Repare na diferença: aqui o discurso não está solto demais nem com palavras inventadas. O problema é o excesso de rodeios. A paciente precisa ser interrompida e redirecionada porque fica presa em explicações longas, mas eventualmente pode chegar à resposta se houver paciência. É como uma estrada com muitas curvas, não uma estrada sem destino. Por isso o gabarito é a letra A. A descrição bate com circunstancialidade, que é um pensamento prolixo, cheio de detalhes acessórios, porém ainda com alguma conexão com a ideia central. Isso é clássico em provas de psicopatologia: a banca troca um defeito de forma do pensamento por outro mais chamativo para ver se você se distrai. As demais alternativas não servem porque descrevem alterações diferentes da linguagem ou do curso do pensamento. Aqui não há criação de palavra nova, nem interrupção abrupta da ideia, nem repetição estereotipada, nem fuga total de associações. O núcleo é simples: muito detalhe, pouca objetividade.