Os transtornos do neurodesenvolvimento são um grupo de condições que se manifestam tipicamente antes da criança ingressar na escola e geram déficits sociais, acadêmicos e até mesmo de funcionamento pessoal. Sobre os transtornos do desenvolvimento intelectual é correto afirmar que
- A)a prevalência de deficiência intelectual é significativamente menor que a prevalência do Transtorno do Espectro Autista.
Errada, porque a deficiência intelectual é mais prevalente que o transtorno do espectro autista em muitos levantamentos epidemiológicos.
- B)crianças com deficiência intelectual apresentam déficits na aquisição de conhecimento acadêmico, porém não costumam apresentar déficits adaptativos em outras áreas da vida diária até atingir a fase adulta.
Errada, porque há déficits adaptativos além dos acadêmicos, com prejuízos em autonomia, socialização e vida diária desde o período do desenvolvimento.
- C)a avaliação neuropsicológica é essencial para o diagnóstico de deficiência intelectual e um quociente de inteligência (QI) abaixo de 100 confirma deste diagnóstico.
Errada, porque o diagnóstico não é confirmado por QI abaixo de 100; o critério envolve desempenho intelectual significativamente abaixo da média e prejuízo adaptativo.
- D)por ser um transtorno do neurodesenvolvimento, crianças com deficiência intelectual não necessitam de investigação de causas etiológicas, pois esta condição raramente está associada a outras doenças.
Errada, porque a investigação etiológica é importante e frequentemente necessária, já que a deficiência intelectual pode estar associada a múltiplas causas médicas e genéticas.
- E)a deficiência intelectual leve pode passar despercebida na fase pré-escolar e as dificuldades de aprendizado nos primeiros anos da escola são comumente confundidas com outros transtornos do aprendizado.
Certa, porque a forma leve pode ser pouco percebida antes da escola e se manifestar como dificuldade de aprendizagem, sendo facilmente confundida com outros transtornos do aprendizado.
Gabarito: E
A deficiência intelectual é um transtorno do neurodesenvolvimento marcado por prejuízos em duas frentes: funcionamento intelectual e comportamento adaptativo. Ou seja, não basta a criança ter dificuldade escolar ou um QI baixo em teste; é preciso haver impacto real na vida diária, na comunicação, na autonomia, nas relações sociais e nas habilidades práticas. Na prática, o quadro costuma aparecer cedo, mas nem sempre grita logo de cara. É por isso que a alternativa E está correta: a deficiência intelectual leve pode passar despercebida na fase pré-escolar, porque a criança ainda está em um ambiente mais protegido e com menos exigência acadêmica. Quando começam as demandas da escola, especialmente leitura, escrita, cálculo e ritmo de aprendizagem, as dificuldades ficam mais evidentes e podem ser confundidas com transtornos específicos de aprendizagem, como dislexia ou discalculia. A avaliação diagnóstica não depende só de um número de QI. Em DSM-5-TR e CID-11, o diagnóstico exige prejuízo intelectual, prejuízo adaptativo e início no período do desenvolvimento. Além disso, é importante investigar causas etiológicas, porque a deficiência intelectual pode estar associada a alterações genéticas, síndromes, lesões neurológicas, infecções, problemas perinatais e outras condições médicas. Resumindo: deficiência intelectual não é só “ir mal na escola”. O ponto central é o impacto global no funcionamento, e nas formas leves isso pode aparecer mais tarde, quando a escola aperta o botão do teste de realidade.