← Questões de Psiquiatria

Psiquiatria · FGV · 2021

Questão comentada de Psiquiatria

Paciente de 82 anos em uma unidade hospitalar vem apresentando confusão mental, inquietação, agitação e fala desorganizada apenas durante a noite. A medida terapêutica que seria menos indicada para essa situação é:

Gabarito: B

O quadro descreve delirium em idoso hospitalizado, com piora noturna, agitação, desorganização do pensamento e flutuação do estado mental. Em emergência psiquiátrica, a primeira ideia não é “apagar o paciente para ele dormir”, e sim corrigir causas clínicas, reduzir estímulos e oferecer orientação ambiental. Por isso, medidas como boa iluminação, presença da família e evitar drogas que pioram a confusão costumam ajudar muito. Em idosos, o delirium é frequentemente precipitado por infecção, dor, desidratação, privação de sono, retenção urinária, hipoxemia e medicamentos. Entre os remédios que mais atrapalham estão os de efeito anticolinérgico e os benzodiazepínicos, que podem piorar confusão, quedas e desinibição. A doutrina clássica de psiquiatria e geriatria reforça que benzodiazepínicos não são escolha de rotina para delirium, exceto em situações específicas, como abstinência de álcool ou sedativos. Quando há agitação importante com risco para o paciente ou para a equipe, pode-se usar antipsicótico em baixa dose, como haloperidol, com cautela e monitorização. Isso não trata a causa do delirium, mas ajuda a controlar sintomas comportamentais enquanto o fator desencadeante é investigado e tratado. Em outras palavras: acalmar o caos sem piorar o cérebro já confuso. Assim, a medida menos indicada é prescrever flurazepam para “ajudar a dormir”, porque ele pode agravar o delirium em idoso. O raciocínio é bem alinhado ao manejo recomendado em psiquiatria clínica e geriatria: evitar benzodiazepínicos e priorizar medidas ambientais e tratamento da causa.

Continue treinando

Questões relacionadas