Uma mulher de 48 anos iniciou tratamento com trifluoperazina e começou a apresentar inquietação, dificuldade de ficar parada e movimentação constante dos membros inferiores. O medicamento mais adequado para ser adicionado ao seu esquema terapêutico é:
- A)atropina;
Errada: atropina não é tratamento de acatisia e não corrige a inquietação motora causada por antipsicótico.
- B)benzotropina;
Errada: benzotropina é mais usada para parkinsonismo induzido por antipsicótico, não para acatisia.
- C)clonidina;
Errada: clonidina não é a conduta padrão para esse efeito extrapiramidal e não é a escolha clássica da prova.
- D)propranolol;
Certa: propranolol é o tratamento de escolha mais cobrado para acatisia induzida por antipsicóticos típicos.
- E)bromocriptina.
Errada: bromocriptina não trata acatisia; ela é lembrada mais em outros contextos, como hiperprolactinemia e síndrome neuroléptica maligna.
Gabarito: D
A trifluoperazina é um antipsicótico típico e pode causar efeitos extrapiramidais, especialmente acatisia. A acatisia dá exatamente essa cena: inquietação, necessidade de se mexer, dificuldade de ficar parada e movimentos repetitivos, muitas vezes nas pernas. É um efeito colateral bem desconfortável e costuma aparecer após o início ou aumento da dose do antipsicótico. Quando o quadro é acatisia, o adjuvante clássico é um beta-bloqueador, especialmente o propranolol. Ele ajuda a reduzir essa agitação motora associada ao bloqueio dopaminérgico. Em prova, pense assim: antipsicótico típico + paciente “não consegue ficar quieta” = acatisia até prova em contrário. Já os anticolinérgicos, como a benztropina, são mais úteis para parkinsonismo induzido por antipsicóticos, com rigidez, tremor e bradicinesia. Ou seja, não é qualquer efeito extrapiramidal que melhora com o mesmo remédio. Aqui o sintoma-chave é a inquietação motora, e isso aponta para propranolol. Se a banca quiser confundir, ela costuma misturar os tipos de efeitos extrapiramidais para ver se voce reconhece o fenótipo correto. O acerto está em identificar o quadro clínico, não apenas lembrar que “efeito extrapiramidal” existe.