Um menino de 15 anos vem apresentando, há três meses, esquecimento e dificuldade de prestar atenção nas aulas, que foram associados a um declínio acadêmico significativo. Ao ser entrevistado, ele explica que tem estado muito preocupado desde que seu pai foi diagnosticado com câncer há cinco meses. Ele tem se sentido triste, sem energia, mas também inquieto e com dificuldades para dormir. O diagnóstico mais provável é:
- A)transtorno bipolar com episódio misto;
Errada: episódio misto bipolar exigiria história de mania/hipomania e sintomas afetivos mais típicos, o que não aparece no caso.
- B)transtorno de déficit de atenção e hiperatividade;
Errada: TDAH costuma começar na infância e ser persistente, não surgir associado a um estressor emocional recente.
- C)transtorno de aprendizagem específico;
Errada: transtorno de aprendizagem específico causa dificuldade acadêmica primária, não explica tristeza, ansiedade e insônia após um evento estressor.
- D)transtorno de ansiedade generalizada;
Errada: transtorno de ansiedade generalizada requer preocupação excessiva e persistente por vários meses em múltiplos domínios, não uma reação claramente ligada a um evento definido.
- E)transtorno de adaptação com misto de ansiedade e depressão.
Certa: há estressor identificável, início temporal compatível e sintomas de ansiedade e depressão com prejuízo funcional, sem critérios mais completos para outro transtorno.
Gabarito: E
Aqui a chave é pensar em temporalidade e gatilho. O menino passou a ter sintomas emocionais e cognitivos depois de um estressor bem definido e identificável: o câncer do pai. Não é um quadro que surgiu “do nada” nem um transtorno crônico desde a infância. Além disso, ele apresenta mistura de ansiedade e humor deprimido, com impacto claro no rendimento escolar, o que combina muito bem com transtorno de adaptação. No transtorno de adaptação, os sintomas aparecem em resposta a um evento estressor e causam sofrimento ou prejuízo funcional, mas não chegam ao padrão completo de outro transtorno maior. Em geral, começam até 3 meses após o estressor e podem ter apresentação com ansiedade, humor deprimido, ou combinação dos dois. A prova adora essa lógica: primeiro olha o gatilho, depois a intensidade, depois o tempo. Neste caso, há preocupação excessiva com a doença do pai, tristeza, falta de energia, inquietação e insônia. Isso forma um quadro misto de ansiedade e depressão, mas sem elementos suficientes para fechar transtorno depressivo maior, transtorno de ansiedade generalizada ou episódio misto bipolar. O diagnóstico mais elegante é justamente o que “encaixa” a resposta emocional ao estresse da vida real. Se você lembrar da regra prática, ajuda muito: estressor claro + início temporal relacionado + prejuízo funcional + sintomas sem preencher síndrome mais específica = transtorno de adaptação. É o diagnóstico clássico quando a vida aperta e a mente responde mal, mas ainda dentro desse molde reativo.