Explosões de raiva recorrentes manifestadas pela linguagem, ou pelo comportamento, desproporcionais em intensidade ou duração à situação, que ocorrem, em média, três ou mais vezes por semana e o humor, entre as explosões, é persistentemente irritável na maior parte do dia e quase todos os dias. Essas manifestações ocorrem antes dos 10 anos e, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, quinta edição (DSM-5), são descritas como compatíveis com
- A)crises de birra do pré-escolar.
Errada, porque crises de birra do pré-escolar não configuram, por si só, um transtorno DSM-5 com irritabilidade persistente e frequência criteriosa.
- B)transtorno bipolar de início precoce.
Errada, porque transtorno bipolar exige episódios definidos de mania ou hipomania, e o quadro descrito fala em irritabilidade crônica sem essa oscilação típica.
- C)distimia.
Errada, porque distimia é um transtorno depressivo crônico, não um quadro de explosões de raiva recorrentes com irritabilidade extrema.
- D)transtorno disruptivo da desregulação do humor.
Certa, porque o DSM-5 descreve o transtorno disruptivo da desregulação do humor como explosões de raiva frequentes e humor persistentemente irritável na infância.
- E)transtorno disruptivo do controle de impulsos e da conduta.
Errada, porque esse grupo diagnóstico não é o mais adequado para explicar a combinação de irritabilidade persistente com acessos explosivos típicos do quadro descrito.
Gabarito: D
A descrição do enunciado é quase um retrato clássico do transtorno disruptivo da desregulação do humor (TDDH), ou DMDD na sigla em inglês. Ele aparece em crianças com explosões de raiva muito frequentes, desproporcionais ao estímulo e com irritabilidade persistente entre os episódios. Ou seja: não é aquele “pavio curto” ocasional, mas um padrão constante de humor irritável e crises repetidas. Pelo DSM-5, o quadro exige explosões de raiva recorrentes, em geral em mais de um contexto, com frequência elevada e incompatíveis com a situação, além de humor persistentemente irritável ou zangado na maior parte do dia, quase todos os dias. Outro ponto importante é a idade de início: os sintomas precisam começar antes dos 10 anos, e o diagnóstico não deve ser feito antes dos 6 nem depois dos 18 anos de idade. O objetivo do diagnóstico foi justamente reduzir o uso exagerado de transtorno bipolar em crianças que tinham irritabilidade crônica e acessos de raiva, mas sem aqueles episódios bem definidos de mania ou hipomania. Então, se a criança não alterna entre fases de euforia, grandiosidade e redução da necessidade de sono, você pensa menos em bipolaridade e mais em desregulação do humor. Por isso o gabarito é a letra D. O enunciado descreve exatamente a combinação de explosões frequentes, desproporcionais e humor irritável persistente, com início na infância, que é a base diagnóstica do transtorno disruptivo da desregulação do humor no DSM-5.