Em relação ao Transtorno de Conduta, podemos considerar um conjunto de fatores que sugerem uma má evolução. Dentre os fatores abaixo, assinale o que não se aplica.
- A)Início de problemas graves antes dos 8 anos.
Correta como fator de pior evolução, porque início muito precoce sugere transtorno mais persistente e grave.
- B)Atos antissociais graves, frequentes e variados.
Correta como fator de pior prognóstico, pois atos antissociais graves, frequentes e variados indicam maior severidade do quadro.
- C)Comorbidade com transtorno de atenção / hiperatividade.
Correta como fator associado a pior desfecho, já que TDAH aumenta impulsividade e dificuldade de controle comportamental.
- D)Inteligência acima da média.
Errada, porque inteligência acima da média tende a ser fator protetor, e não marcador de má evolução.
- E)Histórico familiar de criminalidade ou alcoolismo parental.
Correta como fator de risco, pois histórico familiar de criminalidade ou alcoolismo parental costuma piorar o prognóstico.
Gabarito: D
O Transtorno de Conduta é caracterizado por um padrão repetitivo de violação de regras, direitos alheios e normas sociais, com comportamento agressivo, destrutivo, enganoso ou seriamente desobediente. Quando a questão fala em pior prognóstico, pense em início precoce, gravidade dos atos, grande variedade de condutas antissociais, associação com TDAH e ambiente familiar desfavorável. Esses fatores costumam indicar evolução mais persistente e maior chance de comportamento antisocial na vida adulta. Na prática, quanto mais cedo os problemas começam e quanto mais intensos e múltiplos eles são, pior tende a ser a evolução. A presença de TDAH também costuma pesar negativamente porque aumenta impulsividade, desorganização e conflito com regras. Da mesma forma, histórico familiar de criminalidade ou alcoolismo parental aponta para maior vulnerabilidade biopsicossocial. A alternativa que não combina com mau prognóstico é a inteligência acima da média. Em geral, melhor capacidade intelectual funciona mais como fator de proteção do que de risco, ajudando no controle de impulsos, adaptação escolar e resposta a intervenções. Então, se a banca joga uma característica “positiva” no meio de fatores de risco, desconfie: é aí que a pegadinha mora.