As opções a seguir apresentam interações medicamentosas que podem ocorrer, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Inibidor irreversível da monoamina oxidase com inibidor seletivo de recaptação de serotonina.
Errada, porque IMAO irreversível com ISRS aumenta muito o risco de síndrome serotoninérgica.
- B)Lamotrigina com valproato de sódio.
Errada, porque o valproato eleva a concentração de lamotrigina e aumenta o risco de toxicidade cutânea grave.
- C)Carbamazepina com anticoncepcional.
Errada, porque a carbamazepina induz enzimas e pode reduzir a eficácia dos anticoncepcionais.
- D)Rivastigmina com fluoxetina.
Certa, porque rivastigmina com fluoxetina não é uma interação medicamentosa clássica e relevante como as demais.
- E)Carbonato de lítio com anti-inflamatório não esteroide.
Errada, porque AINEs podem elevar os níveis de lítio e aumentar o risco de intoxicação.
Gabarito: D
Em psicofarmacologia, muita questão de prova gira em torno de interações que aumentam toxicidade ou reduzem efeito do remédio. Aqui, a ideia é reconhecer combinações clássicas: algumas são quase “casamento problemático” de banca, porque a interação é bem conhecida e cobrada com frequência. A associação de inibidor irreversível da monoamina oxidase com ISRS é perigosa por risco de síndrome serotoninérgica, então é uma interação relevante e importante. Já a lamotrigina com valproato de sódio exige cuidado porque o valproato aumenta os níveis de lamotrigina e eleva o risco de rash grave, inclusive Stevens-Johnson. Carbamazepina com anticoncepcional também é clássica: a carbamazepina induz enzimas hepáticas e pode reduzir a eficácia do contraceptivo. O carbonato de lítio com anti-inflamatório não esteroide também interage, porque os AINEs podem elevar a concentração de lítio e favorecer intoxicação. A exceção é a rivastigmina com fluoxetina, que não forma uma interação medicamentosa clássica e relevante como as demais cobradas na prova. Ou seja: as outras quatro são combinações com alerta vermelho; essa é a que não entra no pacote das interações típicas. Em prova da FGV, vale guardar o raciocínio prático: sempre desconfie de combinações que mexem com serotonina, enzimas hepáticas ou excreção renal. Esses são os três caminhos mais comuns para a banca “esconder” a interação.