Assinale a opção menos sugestiva de crise psicogênica não epiléptica.
- A)Opistótono.
Opistótono pode aparecer em crises psicogênicas não epilépticas, então é um achado sugestivo, não o menos sugestivo.
- B)Intensa rotação lateral do corpo.
Intensa rotação lateral do corpo é um movimento mais compatível com CPNE do que com crise epiléptica típica.
- C)Curso contínuo.
Curso contínuo é o achado menos sugestivo de CPNE, porque esse tipo de crise costuma ter curso mais variável e frequentemente interrompido.
- D)Curso interrompido.
Curso interrompido é bem sugestivo de CPNE, já que a flutuação do quadro é um sinal semiológico clássico.
- E)Olhos fechados.
Olhos fechados durante o evento favorecem CPNE, sendo um dos sinais mais lembrados em prova.
Gabarito: C
A crise psicogênica não epiléptica (CPNE) é aquele quadro que imita uma crise convulsiva, mas sem a descarga elétrica típica da epilepsia. Na prática, ela costuma chamar atenção por sinais mais “teatrais” ou variáveis, como olhos fechados, movimentos mais elaborados do tronco e do corpo, e um comportamento que pode oscilar durante o episódio. Não é fingimento: é um transtorno funcional, com sofrimento real. O ponto clássico para suspeitar de CPNE é a inconsistência do evento. Em vez de um padrão neurológico mais estereotipado, a crise pode parecer interrompida, mudar de forma no meio do episódio ou ter movimentos pouco habituais, como rotação lateral intensa do corpo e opistótono. Esses achados ajudam, mas o diagnóstico de certeza costuma depender da avaliação clínica e, quando necessário, do vídeo-EEG. Por isso, a alternativa C é a menos sugestiva de CPNE. Um curso contínuo, sem pausas ou variações, combina menos com esse padrão frequentemente flutuante e interrompido das crises psicogênicas. Em outras palavras: na CPNE, o roteiro costuma ser mais “instável” do que contínuo. Como regra prática de prova, pense assim: olhos fechados, movimentos laterais do corpo e crise com curso interrompido apontam mais para CPNE; já um episódio contínuo não é o traço que mais chama a atenção nesse diagnóstico. A literatura de psiquiatria e neurologia destaca justamente a variabilidade e a incongruência semiológica como pistas importantes.